sábado, 29 de outubro de 2011

STRESS ORGANIZACIONAL - TEMA ATUAL


O desgaste físico e emocional ao qual as pessoas são submetidas nas relações com o ambiente de trabalho é um fator muito significativo na determinação de transtornos de saúde relacionados ao estresse, como é o caso das depressões, ansiedade, transtorno de pânico, fobias e doenças psicogênicas (Goleman, 1997-98).

Geralmente, no ambiente de trabalho das organizações, os estímulos estressares são muito variados e em grande quantidade. Podemos experimentar ansiedade significativa diante de descontentamentos com os colegas, diante da sobrecarga de trabalho e da corrida contra o tempo, diante da insatisfação salarial ou da política de recursos humanos da empresa, entre outras, e, dependendo da pessoa, até mesmo com tarefas rotineiras de sua própria função dentro da empresa.

Muitos fatores emocionais relacionados ao próprio emprego na atualidade contribuem para que a pessoa mantenha-se excessivamente estressada: a sensação de instabilidade no emprego, a sensação de insuficiência profissional, a pressão para comprovação de eficiência, a impressão continuada de estar cometendo erros profissionais, a falta de visão sobre a relevância social do seu trabalho, a percepção de falta de reconhecimento de seus esforços, entre outros. Além disso, preocupações pessoais do funcionário não podem ser eliminadas simplesmente ao entrar no seu posto de trabalho... Toda a história de vida da pessoa está junto a ela em todos os momentos e quando ela vem para o trabalho não é diferente. Seus conflitos, suas frustrações, suas desavenças conjugais, a preocupação com seus filhos, seus interesses e necessidades pessoais, etc.

Existem muitas evidencias de que trabalhadores motivados positivamente produzem mais e são menos acometidos por doenças (Nahas, 2003).

Neste século que está começando, as organizações devem tratar os interesses e necessidades dos seus colaboradores, não apenas como benefícios ou caridade, mas como assunto estratégico de sobrevivência organizacional.

A diminuição de taxa de natalidade e o aumento da expectativa de vida da população trás como conseqüência o envelhecimento da força de trabalho. Para que esta força de trabalho envelhecida possa produzir bem, tanto em termos físicos como intelectuais, o estresse precisa ser dosado de forma adequada, uma vez que este é um dos principais fatores de incapacidade funcional precoce quando em excesso.

O QUE É ESTRESSE?

O estresse é a alteração global de nosso organismo para adaptar-se a uma situação nova ou às mudanças de um modo geral (Deitos, 1997a).

O estresse é um mecanismo normal e necessário ao organismo, pois faz com que o ser humano fique mais ativo e sensível diante de situações do dia-a-dia que exijam respostas ou adaptações, diante do perigo ou de dificuldade. Mesmo situações consideradas positivas e benéficas, como por exemplo, promoções profissionais, casamentos desejados, nascimento de filhos, etc., podem produzir estresse significativo. De fato, o estresse é um mecanismo essencial para o desenvolvimento de nossa sociedade e ele, em si, não é bom nem ruim (Deitos, 1997b; Goleman, 1997).

As mudanças ocorrem continuamente na vida e os organismos devem estar preparados para se adaptar a elas o mais rapidamente possível a fim de garantir a sobrevivência. O estresse funciona como um mecanismo de adaptação, necessário para estimular o organismo e melhorar sua atuação diante de circunstâncias novas.

Nas dimensões social e cultural as mudanças cotidianas sempre ocorreram em toda a história da humanidade, elas são à base da evolução da espécie humana.

De acordo com França & Rodrigues (1999, p.18), "não existem evidencias cientificas de que as pessoas na atualidade sofram mais com o estresse do que em outras épocas, onde o esforço, para simplesmente manter-se vivo, era seguramente, maior".

O estresse sofrido na atualidade é diferente do que foi vivenciado em outras épocas devido à tendência secular de aceleração das mudanças impostas, principalmente, pela globalização da economia e pela decadência cultural resultante do mau uso dos meios de comunicação em massa que acabam modificando os valores e criando necessidades de consumo não existentes em épocas passadas. Isso é novo ao ser humano e perigoso à sua saúde. A velocidade sem precedentes com a qual as mudanças e as exigências que elas propiciam acontecem na vida moderna, é um fator de constante preocupação para as pessoas.

ESTRESSE E AS MUDANÇAS.

As mudanças estão em toda à parte: na tecnologia, na ciência, na medicina, no ambiente de trabalho, nas estruturas organizacionais, nos valores e costumes sociais, na filosofia e até mesmo na religião. Há continuamente uma enorme solicitação de adaptação às pessoas em geral, tanto para os jovens como para os mais velhos.

As necessidades de mudanças podem ser comparadas a um ciclo vicioso; o momento presente está quase sempre exigindo mudanças, essas mudanças acabam trazendo novos problemas. Esses problemas despertam novas soluções, as quais passam a exigir novas mudanças e assim por diante.

Para França & Rodrigues (1999, p.105), "os estressares psicossociais são os acontecimentos relacionados com o tipo de vida que levamos em nossa sociedade".

A inserção dos valores sociais, principalmente nos paises cujo capitalismo é "selvagem", tem gerado um grande número de estressares psicossociais novos e constantes. Se antes as ameaças à sobrevivência física eram a maior preocupação, hoje temos uma infinidade de ameaças subjetivas construídas na complexidade de nossa estrutura social que constantemente leva a pessoa à alienação.

De acordo com França & Rodrigues (1999, p.106), "a capacidade de gerar riqueza é sinônimo de competência profissional e serve de índice de respeito e consideração que a sociedade emprestará a pessoa".

Num modelo de sociedade cujo maior valor é a geração de riqueza econômica, o trabalhador, muitas vezes é considerado, apenas uma peça de uma engrenagem cruel e quando não funciona bem, é substituído.

O estresse ocasionado pelas constantes e brutas mudanças representa um grande perigo à saúde das pessoas. Saúde aqui entendida como define a Organização Mundial de Saúde, como o mais completo possível estado de bem estar físico, emocional, social, intelectual e espiritual.

As constantes mudanças exigem alterações de papeis sociais de forma rápida e muitas vezes, sem o devido período de transição (Goleman, 1998).

Segundo França & Rodrigues (1999, p.107), "papel é toda função, acompanhada de um conjunto de condutas próprias para aquela função, que a pessoa desempenha em determinado momento de sua vida".

A progressiva exigência de qualidade nos produtos e serviços, juntamente com a necessidade de redução de despesas nas empresas tem induzido a mudanças e acúmulo de papeis, determinadas por diversos fatores como: as mudanças determinadas pela empresa, devidas á novas tecnologias, devidas ao mercado e mudanças auto-Impostas para sobrevivência no mercado de trabalho.

Para Maslach (1998), é de muita importância que a pessoa desempenhe um papel adequado e coerente com suas condições pessoais e profissionais, pois isso motiva e facilita o bom desempenho.

As mudanças determinadas pela empresa podem ser originadas por uma nova chefia ou devido à nova orientação geral da empresa, seja por causa de alguma fusão ou aquisição da empresa. Normalmente esse tipo de mudança gera muita insegurança.

O aumento do nível de estresse, inevitavelmente acontece diante das mudanças. O que mais se solicita das pessoas é a adaptação aos novos papeis, portanto, é o momento onde o estresse está acontecendo. As pessoas possuidoras de dificuldades físicas, emocionais ou sociais, naturalmente sofrerão mais nesse processo. Abrir mão de métodos e papeis usuais para aprender ou aceitar novos sempre exige um esforço emocional significativo.

ESTRESSE E TECNOLOGIA.

A tecnologia está em contínua substituição por sistemas mais modernos e poderosos. Nessa situação também as pessoas são emocionalmente solicitadas a se adaptar ao novo. Nesse caso o estresse será variável, de acordo com as disposições Pessoais e de acordo com o tipo dessa nova tecnologia a ser implantada. Geralmente as pessoas que tiveram em suas histórias de vida, pouco contato com as novas tecnologias, são "esmagadas" pelas tensões decorrentes de ter que se adaptar rapidamente a uma máquina ou software.

Por tendência pessoal sofrerão mais aqueles com instabilidade afetiva, com traços marcantes de ansiedade ou já previamente estressados em excesso com as expectativas negativas em relação às mudanças (Golleman, 1995). Em relação às próprias mudanças, sofrerão mais as pessoas confrontadas com novas tecnologias ideologicamente diferentes das anteriores.

A expectativa negativa em relação às novas tecnologias no trabalho, muitas vezes é decorrente do paradoxo existente entre os dois, pois a tecnologia no trabalho que deveria facilitar a vida do trabalhador muitas vezes apenas substitui o trabalhador. É de conhecimento popular que nas empresas, as máquinas extinguiram muitos postos de trabalho, ampliando as responsabilidades e monotonizando os postos restantes. Logo, a tecnologia que deveria proporcionar ao trabalhador maiores facilidades e ampliação do seu tempo de lazer, acabou escravizando o trabalhador e gerando ainda mais insegurança nos postos de trabalho.

As constantes exigências do mercado sempre são levadas a sério pelas empresas e, freqüentemente, determinam mudanças de procedimentos no trabalho. Os ansiosos tendem mais para o estresse excessivo devido, principalmente, a expectativa negativa que aparece muito antes de quaisquer resultados das mudanças.

De acorde com França & Rodrigues (1999), são as exigências que fazemos de nós mesmos as mais danosas a nossa psique. O mais sadio é que estejamos sempre inconformados e sempre adaptados. Isso significa que, através do inconformismo estamos sempre buscando fazer com que o amanhã seja melhor que o hoje. Entretanto, é indispensável que a pessoa se mantenha adaptada às circunstâncias atuais, mesmo que sejam circunstâncias adversas.

Sadio seria reclamar das mudanças organizacionais, quando estas estão reduzindo a qualidade de vida no trabalho, para podermos buscar opções que melhorem nossa vida em relação a essas mudanças (reivindicar treinamento, programas de promoção de saúde, mudanças de cargos e salários, etc), outra coisa é estarmos padecendo de hipertensão, úlcera, ansiedade ou enxaqueca por causa dessas mudanças que muitas vezes até melhoram o ambiente de trabalho.

O próprio inconformismo humano exige uma reciclagem constante, ou seja, exige mudanças continuadas e necessidades de adaptação a essas mudanças. Encarar a mudança sob uma perspectiva de crescimento e adequação pode ajudar nossa adaptação, considerá-la uma tarefa tediosa, inútil e humilhante "para quem já sabe tanto", favorece o descontentamento, a ansiedade e, conseqüentemente, o estresse (França & Rodrigues, 1999; Golleman, 1998; Maslach, 1998).

Para França & Rodrigues (1999, p.110), "vários autores preferem usar o termo adaptação ativa para designar os processos de enfrentamento que incluem (...) uma posição ativa e critica em que a pessoa tem consciência de que não é uma mercadoria, que não pertence ao empregador nem ao estado, que assume sua posição de produtor para si e para a sociedade. Que tem um projeto de futuro...".

ESTRESSE E A GESTÃO DOS ESTÍMOLOS.

Não apenas o excesso de estímulos diferente, como também a sua falta, pode resultar em estresse negativo e doença. Por exemplo, a incidência de ataques cardíacos e depressão, são significativamente maiores nos dois primeiros anos após a aposentadoria. Provavelmente a condição associada seja o tédio, a sensação de inutilidade e/ou a solidão, portanto, a falta ou escassez de solicitações também proporciona situações negativamente estressoras.

Às vezes, no final do dia, sentimos nosso corpo exausto, mas apesar disso, experimentamos uma agradável sensação de bem estar. Em geral uma atividade pode se tornar muito gratificante quando possui um significado especial ou quando desperta grande interesse em nós.

As atividades medíocres, destituídas de significação ou aquelas onde não temos noção do porquê estamos fazendo, podem ser extremamente estressantes. As tarefas altamente repetitivas ou monótonas também podem produzir demasiado estresse. Situações de carência de solicitações ou sensação de falta de significado para o que fazemos, costumam causar elevado estresse (Goleman, 1998; Maslach, 1998).

De acordo com França & Rodrigues (1999, p.106), outros fatores que tem sido objetos de estudo do estresse organizacional são: autoritarismo das lideranças, execução de tarefas sob repressão, falta de autoridades e de orientação, excesso de trabalho, intervenção do trabalho na vida particular e desconhecimento do processo de avaliação de desempenho e promoção, entre outros. Enfim, os dois principais conflitos entre as empresas e seus trabalhadores, são: metas e estrutura das empresas versus necessidades individuais (identidade, autonomia e realização), e produção em larga escala versus satisfação no trabalho pessoal.

A chamada Síndrome de Burnout é uma das conseqüências mais marcantes do estresse profissional. Definida como uma reação à tensão emocional crônica gerada a partir do contato direto, excessivo e estressante com o trabalho, esse transtorno faz com que a pessoa perca a maior parte do interesse em sua relação com o trabalho, de forma que as coisas deixam de ter importância e qualquer esforço pessoal passa a parecer uma tortura (Maslach, 1998).

Esta síndrome afeta, principalmente, profissionais da área de serviços que trabalham em contato direto com os usuários. Entre a clientela de risco, estão os trabalhadores em educação, profissionais em saúde, policiais, agentes penitenciários, os bancários, profissionais liberais, departamentos de vendas e de compras, enfim, funções que obrigam um contacto intenso com o outro.

Os sintomas básicos dessa síndrome são, inicialmente, uma exaustão emocional onde a pessoa sente que não pode mais dar nada de si mesma. Em seguida vem a despersonalização, onde a pessoa desenvolve sentimentos e atitudes muito negativas, como por exemplo, um certo cinismo na relação com as pessoas do seu trabalho e aparente insensibilidade afetiva. O trabalhador manifesta, também, sentimentos de falta de realização pessoal no trabalho, afetando drasticamente a eficiência e habilidade para realização de tarefas e de adequar-se à organização. Finalmente, vem à depressão, uma doença grave, que tem sintomas físicos e emocionais incapacitantes (França & Rodrigues, 1999).

O processo do estresse envolve o organismo todo, o qual assume uma certa postura diante dos estímulos proporcionados pela vida que dependerá da natureza desses estímulos (Goleman, 1998).

O excesso de estresse deve ser considerado um problema social. O homem é um ser histórico e social, isto é, ao mesmo tempo em que é formado pelos acontecimentos de sua história de vida que são determinados pelo meio social onde ele está inserido, ele também afeta esse meio social através de suas respostas aos acontecimentos que formam a sua história de vida.

A maneira como pensamos sobre nosso passado e imaginamos nosso futuro é uma forma pela qual podemos desencadear a reação de estresse. Reviver lembranças desagradáveis imaginar situações ameaçadoras ou visualizar o presente ou o futuro com apreensão, angústia ou medo, conduz à reação de estresse negativo. Felizmente, o inverso também é verdadeiro, a imaginação de situações agradáveis e pensamentos positivos têm um efeito benéfico sobre o corpo produzindo uma sensação de bem-estar. A expectativa otimista é uma das motivações que mais aliviam as tensões. Pensar que o amanhã será melhor que hoje, alivia e minimiza a ansiedade e a frustração do cotidiano (Goleman, 1995).

Kertesz e Kermam citados por França & Rodrigues (1999), propõem um modelo operacional de avaliação e gestão do estresse denominado hexágono vital baseado em seis aspectos importantes do estilo de vida da pessoa. De acordo com esse modelo, a gestão do estresse dependeria de uma alimentação adequada e equilibrada, atividade física regular, tempo de repouso e relaxamento adequado às necessidades, espaço para atividades de lazer a diversão, trabalho que ofereça a possibilidades de realização profissional e inserção em pelo menos um grupo social ativo (igreja, grupo de esporte, grupo de amigos de um clube, trabalho, etc.).

O modelo reporta que a responsabilidade pela gestão do estresse é tanto do funcionário quanto da empresa, que deve dar suporte ambiental, político e educacional para que os comportamentos de risco sejam controlados, uma vez que, é no ambiente de trabalho que as pessoas passam a maior parte do seu tempo ativo e as demandas do trabalho influenciam drasticamente o seu estilo de vida.

De acordo com França & Rodrigues (1999, p.118), "qualidade de vida no trabalho é uma compreensão abrangente e comprometida das condições de vida no trabalho, que inclui aspectos de bem estar, garantia de saúde e segurança física, mental e social, e capacitação para realizar tarefas com segurança e bom uso da energia pessoal".

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A gestão do estresse no ambiente de trabalho deve ter como principal objetivo à melhoria da qualidade de vida e isso deve estar assegurado na política de qualidade e recursos humanos da empresa, e identificado em sua visão e missão.

Um programa de gestão do estresse no trabalho deve ser sempre encarado com muita responsabilidade e comprometimento de todos os níveis de liderança da empresa. Ele deve contemplar os seguintes critérios:

◦Avaliação sistemática dos níveis de estresse no ambiente de trabalho;

◦Aumento da variedade de rotinas através do rodízio de funções a fim de evitar a monotonia dos trabalhos repetitivos;

◦Evitar o excesso de horas extras, pois isso acarreta em desgaste orgânico, ou selecionar pessoas com aptidão física para suportar um maior volume de horas de trabalho;

◦Melhorar as condições físicas do trabalho com a adoção de ferramentas adequadas às pessoas e as tarefas ale de um ambiente físico adequado conseguido com o apoio da ergonomia;

◦Investir no aperfeiçoamento pessoal e profissional dos funcionários, oportunizando a realização de cursos profissionais e vivencias socioeducativas "in company";

◦Oferecer gratificações simbólicas e personalizadas aos funcionários, como, por exemplo: publicar fotos de reconhecimento dos funcionários do mês nos murais da empresa ou na revista institucional;

◦Oferecer oportunidades para que os funcionários possam apresentar idéias que melhorem a qualidade e produtividade da empresa, sempre dando feedback para essas idéias;

◦Implementar um código de ética construído democraticamente pela empresa e seus funcionários. Esse código de ética de ser revisado periodicamente.

França & Rodrigues (1999, p.124), oferecem uma lista de intervenções que podem ser implementadas com o objetivo de gerenciar os níveis de estresse pessoal e organizacional, são elas:

•Técnicas de relaxamento,
•Alimentação balanceada,
•Exercício físico regular,
•Repouso, lazer e diversão,
•Sono apropriado ás necessidades individuais,
•Psicoterapia e vivências que favoreçam o autoconhecimento,
•Aprendizado de estratégias de enfrentamento,
•Administração do tempo livre para atividades ativas e prazerosas,
•Administração de conflitos entre pares e grupos,
•Revisão e reestruturação das formas de organização do trabalho,
•Educação para saúde e
•Equacionalização dos planejamentos econômico, social e de saúde.

A gestão do estresse organizacional exige uma visão multifatorial da realidade envolvendo aspectos econômicos, afetivos, culturais, físicos e ambientais e as ações devem contemplar o maior número possível desses aspectos envolvendo as seguintes etapas de implementação: identificação do problema e das percepções, verificação dos padrões culturais, discussão das características individuais e planejamento e implantação de programas de promoção de saúde, segurança e qualidade de vida.

O estresse negativo, como já foi dito, é um problema de saúde pública que afeta todas as camadas da sociedade e a maior parte dele tem relação com o modelo socioeconômico dominante no atual contexto. Logo a gestão do estresse corporativo é uma ação de responsabilidade social digna de empresas comprometidas com o desenvolvimento equilibrado de nossa sociedade.

BIBLIOGRÁFIA

Deitos, F (1997a). O mito de Ulisses. Santa Maria: Kaza do Zé.
_______ (1997b). Diálogo corporal. Santa Maria: ed. kaza do Zé, 1997.
França, A.C.L & Rodrigues, A.L (1997). Stress e Trabalho: Guia básico com abordagem psicossomática. São Paulo: Atlas.
Goleman, D (1995). Inteligência Emocional. Rio de Janeiro: Objetiva.
__________ (1997). Verdades simples, mentiras essenciais: a psicologia da auto-ilusão. Rio de Janeiro: Objetiva.
__________ (1998). Trabalhando com a inteligência emocional. Rio de Janeiro: Objetiva.
Maslach, C (1998). The Truth about Bournout. New York: New Books.
Nahas, M (2003). Atividade Física, Saúde e Qualidade de Vida: conceito e sugestões para um estilo de vida ativo. Londrina: Midiograf.


Autor:
João Francisco Severo Santos
Doutorando em Psicologia, Saúde, Educação e Qualidade de Vida pela American World University-AWU; Mestrando em Atividade Física Relacionada á saúde pela Universidade Federal de Santa Catarina; Especialista em Gestão e Promoção de Saúde Empresarial pela Fundação Universidade da Região de Blumenau; Especialista em Ciências do Movimento Humano pela Universidade da Região de Joinville; Professor do Departamento de Ciências Básicas e Sociais do Centro de ciências Tecnológicas da Universidade do Estado de Santa Catarina-UDESC e da Faculdade de Educação Física do Instituto Educacional e Superior IELUSC; Ex-gestor de Atividades do Serviço Social da IndústriaI de Joinville; Palestrante e Consultor de promoção de saúde.

sábado, 22 de outubro de 2011

DEPRESSAO E TRAIÇAO

Entre as vivencias capazes de desencadear reações depressivas o conhecimento da traição é uma das mais fortes. Geralmente a pessoa traída ou deixada pela outra se mobiliza fortemente pela frustração da perda, pela constatação da mentira, pela deslealdade e, não menos, pelo vexame e constrangimento social e familiar.


O sentimento mais imediato que a infidelidade provoca, no entanto, é uma mistura de mágoa, contrariedade, ira, arrependimento, ânsia de vingança ou revanche. Em geral, nessa fase de enorme frustração os sentimentos não são bem definidos, alternando-se de um para outro, da mágoa para a raiva, do arrependimento para a vingança, da sensação de impotência para o desespero da reconquista. “Fiquei sem chão...”, “... meu mundo acabou”, são as expressões mais ouvidas nessas circunstâncias.

A descoberta da infidelidade pode ser uma das mais sofríveis e devastadoras vivências. A constatação da deslealdade no relacionamento causa um sofrimento proporcional à solidez da convicção prévia de que a posse da pessoa era garantida. Nessas situações, mais importante que a idéia do contacto físico da pessoa infiel com a outra é o sentimento de decepção. Isso pode produzir um desencanto muitas vezes definitivo. Pode até existir uma espécie de perdão... mas a desilusão, desapontamento e decepção ficam.

Depois do estressante choque inicial a pessoa deverá passar para a fase de adaptação. Essa fase, embora seja diferentemente vivenciada de pessoa a pessoa, costuma ser bastante demorada. Do estresse inicial a pessoa passa a apresentar um quadro francamente depressivo. Trata-se de uma reação depressiva, diferente dos casos de depressão maior, de natureza biológica e constitucional.



No caso da depressão pós-traição a origem da depressão é vivencial, portanto, uma Reação Depressiva. A sintomatologia é geralmente típica, como desinteresse, desânimo, perda de prazer com as coisas, apatia, tristeza, irritabilidade. Pode haver alteração do sono, do apetite e do peso.

A base da infidelidade é essencialmente multifatorial, mas um dos fatores muito comum é o entorpecimento do relacionamento, comumente referido como “desgaste da relação”. Sem dúvida, a disponibilidade plena, a constância e a acomodação são os determinantes importantes do entorpecimento da relação. Junto com isso, a crença de que a outra pessoa “deve” suportar as adversidades geradas pelo sentimento da posse é um dos determinantes finais.

Mais uma grande responsável pela avassaladora decepção da pessoa traída é outra crença irremovível e natural no ser humano; a reciprocidade automática. As pessoas costumam fazer para as outras aquilo que desejam para si mesmas, como uma espécie de barganha obrigatória. A certeza de reciprocidade é tão forte que acaba turvando a razão para outras possibilidades, como por exemplo, os sentimentos íntimos da outra pessoa, sua satisfação sobre o relacionamento, suas necessidades básicas de afeição...



De fato a fórmula para um bom relacionamento não é uma receita mágica, nem nova e nem misteriosa. Ela é muitíssimo conhecida e universalmente propalada aos quatro cantos: o amor é uma construção diária e precisa de cuidados constantes. Caso falte tal zelo, com o tempo a atração e os sentimentos podem ser cobertos pelo pó do dia-a-dia, tirando o brilho de todo relacionamento.

Assim, muitas vezes a vontade de viver ou reviver o sentimento eloqüente do amor, juntamente com o propósito de resgatar uma sexualidade prazerosa e esmaecida no cotidiano, acabam empurrando a busca de tais necessidades em outra pessoa. O termo “necessidade” usado aqui é absolutamente preciso nesse contexto, e não são apenas essas duas carências, do amor e da sexualidade.

Existem outras necessidades mais pessoais ou mesmo universais para a manutenção de um relacionamento sadio. Sentir-se uma pessoa admirada, gostada, desejada, atraente e interessante são estímulos que falam muito alto. A terceira outra pessoa pode ter muitas chances de conquistar se agir assim.

Um dos grandes riscos de perder a relação é quando a pessoa nutre sentimentos de ser ssempre e plenamente suficiente ao outro, quando aposta que seus defeitos não são significativos ou, pior, que eles devem ser afetuosamente suportados pelo outro em nome do amor. Essas pessoas, quando traídas ou deixadas, promovem uma verdadeira revolução em suas vidas e na maneira de ser, provando assim que a falta ou a insignificância dos defeitos era uma fraude. Talvez, se tivessem procedido as correções dos defeitos “que não tinham” antes da separação esta nem teria ocorrido.



O desgaste

A frustração, que é o sentimento causado por um desejo não plenamente satisfeito, é que motiva a Reação Depressiva. Essa dinâmica frustração-depressão não é exclusiva dos casos de traição, evidentemente, e atualmente é a justificativa mais aceita para a crescente incidência de quadros depressivos. Seres humanos estão cada vez mais frustrados.

Pode haver também uma relação entre o cotidiano social atribulado e o desgaste das relações interpessoais conjugais. De fato o cotidiano é, sobretudo, ávido por nosso ser. Ele, o cotidiano, se apossa da pessoa submetendo-a à tirania de “ter que”; ter que ir ao banco, ter que comprar isso e aquilo, ter que responder e-mails, cumprir compromissos, enfim, sempre se tem que fazer alguma coisa que acaba distanciando uma pessoa da outra. Por sinal, devido a disponibilidade total da outra pessoa, acredita-se erradamente que ela pode esperar quando não se tem mais nada que fazer.

Neste panorama, é claro que se o casal não estiver atento a infindável sucessão de “ter que” o cotidiano sugará toda energia necessária ao bom relacionamento. A crueldade do cotidiano entorpece a pessoa impedindo-a de perceber a outra como alguém que tem sentimentos, desejos, necessidades, sonhos, sensibilidades.

Mas a situação entediante proporcionada pelo passar (mal) do tempo continua porque existe a crença na vigência de um contrato cultural garantindo que um, de fato, pertence ao outro. Nessa fase as conversas vão minguando e se limitam aos desagradabilíssimos problemas domésticos.

As preocupações e temas das conversas giram quase exclusivamente em torno do trabalho, da casa, empregada, filhos, problemas financeiros e de saúde, dos parentes. Tudo isso parece não existir em relação à terceira pessoa do fatídico triângulo.

No desgaste da relação muitas coisas verdadeiramente interessantes não são ditas, as frustrações se transformam em cobranças, em irritação, em desaforos dissimulados e o silêncio é capaz de machucar. O relacionamento passa a ser aquela mesmice morna, e mesmo que seja politicamente educado ele será sentimentalmente gelado.

Essa chatice do cotidiano de forma alguma é obrigatória, inexorável. Ela aparece quando o dia-a-dia é mal gerenciado, quando as pessoas se acomodam, se acovardam, amarelam, e piora muito quando há desencantamento, desinteresse. Sem dúvida aqui se aplica o que a psiquiatria recomenda para a existência saudável: a pessoa deve estar sempre inconformada e sempre adaptada. Isso significa que por não estar conformada ela estará planejando algo para seu amanhã ser melhor que o hoje. O fato de estar adaptada faz com que ela não adoeça por causa do inconformismo.

Assim sendo, a pessoa não deve se conformar com as crises de mau humor, com as irritações, grosserias, desleixos, descasos, negligências. Caso a pessoa se conforme e desanime estará colaborando para o preparo do fértil terreno da infidelidade.



A traição

A traição pode ser conseqüência de tudo o que foi dito antes. De nada adianta a pessoa ficar espantada, surpresa, abismada com a traição, embora ocorra isso tudo fisiologica e inevitavelmente. A infidelidade aparece naturalmente como conseqüência da perpetuação do erro e da desesperança.

Para as pessoas que sempre citam comparações esdrúxulas dizendo que apenas o ser humano trai e não os animais, é bom saber que, de fato, trair é uma condição humana por excelência. Evitar isso implica na pessoa procurar entender o mais rápido possível que está tendo um relacionamento com “uma pessoa humana”, portanto, com alguém capaz de sentir, aspirar, desejar, se magoar e se comportar, inclusive capaz de trair, como qualquer humano.



De qualquer forma é bom saber que a traição está longe de ser uma fraqueza. Nem tampouco é um ato de coragem. Antes disso, é uma conseqüência, uma atitude fortuita e muitas vezes desesperada de sentir a vida, principalmente quando esta parece estar se esvaindo pelos vãos dos dedos e não é mais encontrada junto da pessoa amada.

Em geral a traição reflete um verdadeiro descompasso afetivo entre o casal. Além dos desgastes cotidianos do relacionamento, vistos acima, o descompasso surge também quando um dos dois dirige quase toda a sua energia para alguma coisa externa ao relacionamento, proporcionando ao outro o sentimento de estar sendo deixado de lado. Isso é comum no homem que se envolve demais com o trabalho ou na mulher com preferência exclusiva aos filhos. Por outro lado, se os dois têm interesses na mesma direção e na mesma intensidade, além de minimizar as possibilidades de problemas, pode até solidificar mais a relação.



Autoestima baixa... o estopim

A autoestima é o reflexo da valoração afetiva que a pessoa faz de si mesma. Isso quer dizer que as oscilações do afeto, para mais ou para menos, acabam fazendo a pessoa se sentir muito bem ou muito mal consigo mesma. Às vezes o relacionamento não proporciona boa autoestima e, ao contrário, pode até contribuir para a piora da mesma. Motivações subterrâneas podem proporcionar atitudes pejorativas dissimuladas ou falsamente amistosas, enfim, o resultado final desse comportamento depreciativo é baixar a autoestima.

O ego da pessoa com baixa autoestima pode ter necessidades do se afirmar “sobre o outro" ou, igualmente ruim, pode estimular a pessoa a testar sua capacidade de sedução sobre outras pessoas. Surge uma necessidade em se convencer ser desejável. O comportamento para testar tais necessidades favorece a vulnerabilidade à traição.

Enfim, todas essas questões da intimidade emocional podem estimular a aspiração de arranjar uma outra pessoa capaz de atender todos os anseios, carências e necessidades. A opção de estar disponível para outra pessoa pode nascer, crescer e assumir proporções perigosas quando existe um desagradável sentimento de desvantagem existencial, quando a pessoa experimenta a carência de se sentir admirada e a carência de motivos para admirar, quando se sente preterida, deixada de lado, excessivamente criticada e reprimida.



A necessidade de viver novos relacionamentos é forte quando a relação atual não preenche as necessidades. Por conta da relação direta entre autoestima baixa e vulnerabilidade à traição, um dos focos do tratamento é no sentido de melhorar o estado afetivo. A abordagem terapêutica de pacientes que procuram ajuda por viverem grandes conflitos intrapsíquicos sobre a traição visa melhorar a autoestima.



Os melhores resultados são obtidos com a associação da farmacoterapia, a base de antidepressivos, com a psicoterapia, notadamente de natureza comportamental cognitiva. De certa forma, a mesma abordagem terapêutica deve sesr dispensada à pessoa que pensa em trair, que traiu ou que foi traída, pois, em todas elas a autoestima pode estar absurdamente baixa.



Perfil das vítimas

Uma conclusão interessante que se pode chegar durante a terapia de algumas pessoas envolvidas pela traição é que quem traiu pode ser tão vítima quanto quem foi traído. Talvez, se a pessoa que traiu fosse atendida em suas necessidades afetivas básicas, nada teria acontecido.

Não há regras gerais nem generalizações, pois cada caso é um caso. Em geral poucas pessoas se consideram simplesmente traidores. A maioria reclama das faltas no relacionamento que levaram à busca de outras formas de satisfação. Verdade ou não, e isso nem é tão importante, as relações duradouras acabam proporcionando cobranças de um lado e apatia do outro.

O cansaço crônico de algumas convivências duradouras e negligenciadas favorece a idéia de que uma relação nova possa restabelecer a alegria para a vida, uma autoestima mais sadia e o resgate do prazer. A pessoa insatisfeita que procura situações mais agradáveis se depara algumas vezes com a sensação de culpa, embora seja capaz de detectar as necessidades internas que a levaram ao comportamento fugidio da relação. A pessoa insatisfeita sabe o que está buscando e o que quer preencher e, muitas vezes, a outra pessoa também sabe disso, embora faça de conta que não sabe.

Se as condições que criam e mantém a frustração do relacionamento continuam pode, de fato, acontecer a infidelidade. Assim, as pessoas infiéis arriscam sem saber o que virá pela frente e muitas vezes agem por impulso, não considerando os abalos que essa infidelidade pode provocar no relacionamento e na vida do outro. Algumas vezes a traição é um acontecimento automático que simplesmente vai acontecendo ao sabor do tempo. Outras vezes é uma atitude racionalmente considerada e cujas conseqüências foram consideradas preferíveis. Outras vezes ainda, trata-se de um entorpecimento afetivo que distancia pessoas da realidade, impulsionando-a por certa euforia de ter a possibilidade de mudança de vida.

Geralmente é muito difícil acreditar em quem diz que “não sabia, não percebia nada” e que a traição foi, de fato, totalmente uma surpresa. A postura de inocência e de não percepção do que estava acontecendo não isenta o traído de participação no evento, muito pelo contrário. Esse "eu não sabia de nada" pode representar total falta de cuidado para com o relacionamento, falta de interesse e atenção com o que se passa entre duas pessoas que dizem se amar.

Talvez a pessoa traída estivesse tão inebriada por crenças sobre a natureza pétrea de seu relacionamento que não seria capaz de ver o que se passava em sua volta. Com incômoda freqüência vemos o traído como um homem voltado para o trabalho, para o dinheiro ou para seu papel social e, no caso da mulher, uma pessoa concentrada em sua vida pessoal, doméstica e dos filhos. Homens e mulheres deixados, seja por traição ou não, demoram a se adaptar ao ocorrido e geralmente não se conformam nunca mais, embora reconheçam, depois de algum tempo, terem perdoado. Essas pessoas costumam ficar revendo sistematicamente o passado em busca de onde foi que erraram, do que poderia ter sido feito e não foi.

Algumas pessoas, como foi dito, se dizem perplexas por terem sido pegas de surpresa, acreditando que estava tudo muito bem, que não havia motivos para a separação ou traição, que não mereciam essa situação, entretanto, quando desejam uma reaproximação ou reconquista, quase sempre prometem as mesmas mudanças que antes teriam sido bastante necessárias... Ora, se sabem o que é necessário mudar para reconquistarem a pessoa amada, é porque sabem que isso tudo poderia ter sido mudado antes. Em outras palavras, prometer mudanças significa que as coisas não estavam tão bem assim e que não houve um acontecimento totalmente inesperado.

O universo psíquico humano sempre recorreu ao auto-engano para alívio dos grandes conflitos e complexos. Nessas situações de separação também se recorre ao auto-engano, na maioria das vezes inconscientemente. Deve ser enfatizado, mais uma vez, que as pessoas deixadas e que se sentem “perplexas por terem sido pegas de surpresa”, na realidade talvez não tenham observado bem os indícios do que estava para acontecer, tal como uma espécie de negação de fatos que não se quer ver.

Parece que a falsa convicção de um relacionamento que se manteria para todo o sempre entorpece a sensibilidade para com o outro. Sexualmente considera-se que, em geral, a mulher tem atração pelo homem que ama e este, por sua vez, ama a mulher que nele desperta atração. Por isso, em geral, os homens temem que sua mulher faça sexo com outro homem e as mulheres temem o envolvimento afetivo, ou seja, que seu homem se apaixone por outra.

Nos casos onde a pessoa traída tem fortes traços obsessivos, ou seja, tem tendência à preocupações excessivas, ruminação ansiosa de idéias, vocação ao perfeccionismo, tendência ao planejamento obsessivo de tudo na vida, logo, dificuldade em lidar com o plano B, que é motivada por competitividade acentuada... nesses casos a traição pode desenvolver um indelével e perene sentimento de mágoa e vingança.



O mito do relacionamento indissolúvel

Ao se juntar pelo amor o casal estabelece, silenciosa e inconscientemente, uma espécie de pacto ou trato que será a base para o futuro da vida a dois. Geralmente esse trato inconsciente é o resultado de uma negociação prévia e silenciosa desde os tempos de namoro, a qual vai se cristalizando na medida em que as situações vão surgindo. Assim, o namoro é a oportunidade para os parceiros expressarem as cláusulas desse trato; suas expectativas, seus limites, seus valores, para estabelecerem o que esperam do outro e o que não toleram dele.



Algumas vezes existem devaneios neste pacto, como por exemplo, o famoso "até que a morte os separe". Faltou acrescentar o termo igualmente fantasiado, "incondicionalmente". Aí sim o devaneio fica quase um delírio: "até que a morte os separe, incondicionalmente". Ora, exceto as mães em relação aos seus filhos, os seres humanos não aceitam absolutamente nada que tenha caráter incondicional.


O pacto silencioso e tirano forjado durante o namoro pode ser uma coisa interessante, entretanto, nem sempre esse trato é compreendido por ambas as partes da mesma maneira. Cada um considera justo esperar do outro atitudes em seu favor, como se a pessoa fosse obrigada a saber exatamente o que se deseja dela. Isso leva, na maioria das vezes, a uma grande decepção, pois ninguém pode viver para atender expectativas de outra pessoa.


É assim que, com honestidade, a pessoa deveria trazer para si a culpa por suas próprias expectativas em relação ao outro. Não se sabe como nem porquê um ser humano enamorado começa a imaginar que o outro deva adivinhar exatamente o que é importante para ele. Não se sabe como nem porquê esse mesmo ser humano constrói sua expectativa de felicidade exclusivamente dependente da pessoa com quem escolheu compartilhar a vida.

Geralmente a pessoa traída atribui a responsabilidade da traição ao traidor, obviamente, enquanto o traidor quase sempre atribui a responsabilidade pelo seu ato ao seu par, que vinha negligenciando o relacionamento há tempos.

Algumas vezes o ato da pessoa que trai dividir a responsabilidade da traição com a pessoa traída é uma espécie de projeção da responsabilidade. Melhor dizendo, isso não deixa de ser uma espécie de autoengano. É o mesmo autoengano a que todos estamos sujeitos, inconsciente ou hipocritamente, que é buscar fora de nós as responsabilidades que deveriam ser nossas, em outras palavras, é atribuir aos outros as responsabilidades que são nossas.

A desagradável sensação de ter sido vítima da ousadia da outra pessoa, seja na traição ou separação, sempre convoca reflexões. Assim como o relacionamento se inicia invariavelmente com a participação e responsabilidade de duas pessoas, também a separação terá a participação invariável dessas mesmas duas pessoas.

Abordagem e tratamento

A idéia da co-participação do casal, ou da co-responsabilidade na qualidade do relacionamento é uma idéia interessante e deve ser melhor explorada nas terapias que fazem parte do tratamento dessa Reação Depressiva à traição. Assim, a infidelidade deve ser abordada obrigatoriamente como um problema do casal e não apenas daquele que traiu ou apenas de quem sofreu a traição.

Se o casal procura ajuda porque está passando por um período turbulento, ou seja, antes da infidelidade propriamente dita acontecer, a atenção deve ser dirigida para a quase certa quebra do pacto que existia entre o casal. Essa quebra do contrato pode dever-se a uma ou ambas pessoas. Nesses casos uma pessoa ou as duas sentiram suas expectativas frustradas, sentiram-se traídas no projeto amoroso, independente da traição literal já ter acontecido ou não.



Não se pretende tratar a traição ou a separação, obviamente, pois nada disso é doença. A psiquiatria e a psicologia são convocadas a tratar as conseqüências emocionais desses episódios na vida do casal. Algumas vezes, dependendo da intensidade do quadro depressivo decorrente dessa vivencia traumática, será necessário o uso de antidepressivos, porém, sempre em conjunto com a psicoterapia.



O fato da depressão ser de origem externa, nesses casos chamada de Depressão Reativa, não isenta o uso de antidepressivos, pois o sofrimento e a gravidade são tão significativos quanto da chamada Depressão Maior, de origem biológica. Enquanto a medicação antidepressiva melhora o ajustamento afetivo à vivência causadora, diminuindo assim a reação vivencial depressiva, o tratamento psicoterápico deve discutir a situação atual e as perspectivas futuras.



Aos casais que optam continuar o relacionamento a superação da traição é a meta da terapia. O foco não deve se restringir apenas ao perdão, uma vez que nem sempre a maior parcela da culpa é de quem traiu. Superar a vivência significa ir além do perdão, significa virar a página, e definitivamente. As lições decorrentes dessa vivência traumática devem permanecer e cristalizar ainda mais o relacionamento.



Algumas pessoas insistem em dizer não terem feito absolutamente nada que justificasse a traição ou separação da qual foram vítimas. Porém, deve fazer parte do ficcioso “manual de abordagem terapêutica para traídos e traidores” que nem sempre apenas as más atitudes resultam em desarmonias e descontentamentos conjugais. As não-atitudes, a não-participação, a apatia, descaso, desinteresse e até o silêncio também são formas de agressão.



As pessoas podem ser sempre melhores para seus pares, diminuindo assim as chances de perda do encantamento, ou seja, do relacionamento. E tanto as pessoas podem ser melhores que aquelas deixadas produzem grandes transformações em suas vidas depois do fim da relação: perdem o peso excessivo, deixam de fumar, entram em academias, fazem lipoaspiração, lifting, clareamento dos dentes, mudança de hábitos, procuram tratar o ronco noturno, o mau humor. Embora tudo isso faça parte do aresenal usado para melhorar a autoestima da pessoa que se sente deixada ou traída, mostra também que tudo isso poderia ter sido feito antes e ter melhorado o relacionamento agonizante.



Ballone, GJ - Depressão pós-traição



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REFLEXAO

O trabalho hoje é concebido como uma atividade que envolve o homem em todas suas dimensões, exercendo importante papel na construção da subjetividade humana, e como tal, um elemento constitutivo da saúde mental e coletiva. Segundo Bridges (1995) o trabalho, além de contribuir fortemente para a sobrevivência material dos indivíduos, organiza e estrutura a vida das pessoas dando-lhes uma identidade,
proporcionando uma rede de relações e de contatos, estruturando seu tempo e construindo espaço na sociedade através de direitos e obrigações.

A HISTORIA DO HOMEM

Entende-se Heidegger, quando este apresenta o cuidado como uma categoria essencial do ser humano. Uma fábula conservada por Higino, filósofo e bibliotecário de César Augusto, igualmente aduz para tanto:


Certo dia, Cuidado, passeando nas margens do rio, tomou um pedaço de barro e o moldou na forma do ser humano. Nisso apareceu Júpiter e, a pedido de Cuidado, insuflou-lhe espírito. Cuidado quis dar-lhe um nome, mas Júpiter lho proibiu, querendo ele impor o nome. Começou uma discussão entre ambos. Nisso apareceu a Terra, alegando que o barro era parte de seu corpo e que, por isso, tinha o direito de escolher um nome. Gerou-se uma discussão generalizada e sem solução. Então todos aceitaram chamar Saturno, o velho deus ancestral, senhor do tempo, para ser árbitro.

Este deu a seguinte sentença, considerada justa: Você, Júpiter, deu-lhe o espírito, receberá o espírito de volta quando esta criatura morrer. E você, Cuidado, que foi o primeiro a moldar a criatura, acompanhá-la-á por todo o tempo em que ela viver.

E como vocês não chegaram a nenhum consenso sobre o nome, decido eu:
chamar-se-á homem, que vem de húmus, que significa terra fértil.

Xingada de velha e feia, foi à Justiça e ganhou

Menosprezada na loja em que trabalhava, e constantemente isolada pelos demais funcionários, uma auxiliar das lojas Marisa, em Minas Gerais, resolveu recorrer à Justiça do Trabalho em busca de indenização depois de ser demitida sem aviso prévio, em abril de 2009. A loja foi condenada a pagar R$ 20 mil de indenização por danos morais à mulher, sentença da primeira instância confirmada pelo Tribunal Regional Federal 3ª Região e, esta semana, pelo Tribunal Superior do Trabalho.

A auxiliar contou à Justiça que, logo após ser contratada, em outubro de 2008, notou que era alvo de um tratamento diferente dos demais. Não era convocada para as reuniões de treinamento e, volta e meia, era tratada de forma desrespeitosa. Se reclamava de algo, diziam logo que ela era “velha”. Certa vez foi perguntar à gerente o que estava acontecendo, e ouviu que seu cabelo, suas roupas, tudo era feio. A história foi confirmada por testemunhas à Justiça do Trabalho. Disseram que ela foi destratada até na frente de clientes.

Por depender do emprego, a mulher aturou a situação por meses a fio, à custa de crises de choro e duros golpes na sua autoestima. A Marisa contestou os fatos, negou tudo, mas nem o juiz nem os ministros foram convencidos de que não houve assédio moral.

O ministro Emmanoel Pereira, do TST, afirmou que, nesse caso, caberia à empresa provar que não houve comportamento hostil.

Duas coisas me vêm à mente diante de uma história dessas. A apresentação é um fator importante no ambiente de trabalho. Esse código muitas vezes têm que ser ensinado ou explicitado em regras. Aqui não se trabalha de minissaia, aqui as mulheres prendem o cabelo e usam toucas para cozinhar etc. Vamos pensar nas pesssoas que fogem do padrão, não de beleza, mas de apresentação. Se você contrata uma recepcionista e, mesmo informada, a moça insiste em trajes inadequados, você manda embora. E não fica ali xingando ela.

Agora vamos supor que esta história contada aqui seja apenas isso mesmo: excluída por não ser bonita e jovem.Que os belos costumam usufruir de vantagens não-escritas nos ambientes que frequentam é fato. É comportamento estudado e reportado, inclusive, em recente capa da Época. Mas o revés dessa moeda, menosprezar e destratar os não-belos, os não-jovens, os não-alguma-coisa, é o retrato do despreparo para a vida em sociedade. Não acho que seja um fenômeno recente resultado da ditadura da beleza e da juventude eterna das plásticas sem fim. Para mim, é a ausência de um princípio muito básico, e não necessariamente religioso, que deve ser ensinado desde a infância: não infligir ao outro o que não gostaria que fizessem consigo mesmo.Você vê muito esse tipo de situação por aí?

Autor: Isabel Clemente é editora-assistente de ÉPOCA em Brasília



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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Material de RH - Disponibilidade

Bom dia,

Amigos, vale ratificar que caso voce queira algum material da area de RH que esteja disponivel terei o maior prazer em enviar para voce. Basta, portanto, que voce replique a sua msg para os seguintes emails:

1 - fmenezesster@gmail.com
2 - fabricio.menezes04@gmail.com


"Você quer ser feliz por um instante? Vingue-se. Você quer ser feliz para sempre? Perdoe." (Tertuliano)