Estive fazendo uma pesquisa sobre labilidade emocional e lembrei do texto abaixo. O conteúdo é muito bom, objetivo e faz esclarecimentos muito oportuno sobre o tema. O autor é o Dr. Geraldo Ballone - Psiquiatra.
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ALTERAÇÕES DA AFETIVIDADE
Autor do artigo: Dr. Geraldo Ballone
A afetividade compreende o estado de ânimo ou humor, os sentimentos, as emoções e as paixões e reflete sempre a capacidade de experimentar sentimentos e emoções. A Afetividade é quem determina a atitude geral da pessoa diante de qualquer experiência vivencial, promove os impulsos motivadores e inibidores, percebe os fatos de maneira agradável ou sofrível, confere uma disposição indiferente ou entusiasmada e determina sentimentos que oscilam entre dois polos, a depressão e a euforia.
Desta forma, a Afetividade é quem confere o modo de relação do indivíduo à vida e será através da tonalidade de ânimo que a pessoa perceberá o mundo e a realidade. Direta ou indiretamente a Afetividade exerce profunda influência sobre o pensamento e sobre toda a conduta do indivíduo.
O estado psíquico global com que a pessoa se apresenta e vive reflete a sua Afetividade. Tal como as lentes dos óculos, os filtros da Afetividade fazem com que o sol seja percebido com maior ou menor brilho, que a vida tenha perspectivas otimistas ou pessimistas, que o passado seja revivido como um fardo pesado ou, simplesmente, lembrado com suavidade. Interfere assim na realidade percebida por cada um de nós, mais precisamente, na representação que cada pessoa tem do mundo, de seu mundo.
Podemos pensar na Afetividade como o tônus energético capaz de impulsionar o indivíduo para a vida, como uma energia psíquica dirigida ao relacionamento do ser com sua vida e o humor necessário para conferir uma determinada valoração às vivências. A Afetividade colore com matizes variáveis todo relacionamento do sujeito com o objeto, faz com que os fatos sejam percebidos desta ou daquela maneira e que despertem este ou aquele sentimento.
Estado Afetivo (momentâneo)
Há sempre um ESTADO AFETIVO MOMENTÂNEO para cada pessoa, um tônus afetivo neste exato momento atribuindo os devidos valores às vivências, seja a tristeza na tragédia ou a alegria na comédia, em condições normais. Este estado afetivo momentâneo é variável de momento para momento numa mesma pessoa; ora o humor está mais elevado, ora mais rebaixado. Um mesmo fato que nos parece demasiadamente desagradável no meio do dia poderá parecer muito mais ameno à noite, ou uma mesma brincadeira que nos fez rir ontem poder nos irritar hoje. Nestes casos não estaria havendo variação ou mudança nos fatos, mas sim na representação deles, segundo os "filtros" do afeto.
O desenho abaixo (Figura 1) simboliza um túnel onde a Afetividade Momentânea oscila entre as posições a, b e c, ou seja, respectivamente entre estar o afeto rebaixado (deprimido), normal e elevado (eufórico), respectivamente. Entretanto, essa oscilação dá-se dentro de determinados limites (as paredes do túnel). Esse túnel, mais precisamente o seu diâmetro representa a Tonalidade Afetiva Básica. No Transtorno Afetivo Bipolar esse túnel teria um diâmetro muitíssimo grande, ou seja, permitiria que o afeto oscilasse entre o estado profundamente deprimido e exageradamente eufórico.
Figura 1
Dentro da Tonalidade Afetiva (túnel do desenho da Figura 1) podem haver variações quantitativas da Afetividade Momentânea mas, em condições normais, essas variações não são infinitas numa mesma pessoa, ou seja, haverá variações dentro de limites estabelecidos por um determinado perfil constitucional. Em decorrência deste perfil constitucional, cada indivíduo terá suas possibilidades individuais de variação, de tal forma que o entusiasmo maior de uns não corresponde ao mesmo entusiasmo máximo de outros, ou o abatimento máximo de uns será diferente do abatimento máximo de outros.
Tonalidade Afetiva (básica)
Se fosse possível representar graficamente a Tonalidade Afetiva Básica e o Estado Afetivo Momentâneo das pessoas, seria algo parecido como a figura de túneis, representando a Afetividade Básica, dentro de cujos limites oscilaria a Afetividade Momentânea. Esta poderia em determinados momentos situar-se na parte mais rebaixada do túnel e, em outros, na parte mais elevada, porém, sem abandonar os limites estabelecidos por este túnel. Cada indivíduo tem seu túne" situado mais alto ou mais baixo, ou seja, para uma personalidade cujo túne" encontra-se num nível superior, caso sua Afetividade Momentânea esteja a mais rebaixada possível, mesmo assim não será tão baixa quanto a afetividade de uma outra personalidade cujo túne está situado em posição mais inferior. Para melhor entendimento vejamos o exemplo gráfico a seguir, onde há túneis de grande diâmetro, ou seja, que permitem uma oscilação extremada da Afetividade, e outros situados em diferentes níveis.
Figura 2
Este perfil de possibilidades de variação da Afetividade, estipulado pelas características da personalidade de cada um, pode ser entendido como a "marca registrada" da Afetividade Básica do indivíduo e é chamada de TONALIDADE AFETIVA BÁSICA. Resumindo, podemos dizer que a Afetividade Momentânea é a afetividade variável, dentro dos limites estabelecidos pela Tonalidade Afetiva Básica de cada um.
Podemos perceber as características da Tonalidade Afetiva se tomarmos como referência, por exemplo, um dos traços da personalidade: a introversão ou a timidez. As pessoas que conhecemos como introvertidas ou tímidas dificilmente se nos apresentarão, um belo dia, completamente desinibidas e expansivas. Poderão estar, dependendo das circunstâncias vivenciais e de sua Afetividade Momentânea, mais tímidas ou menos tímidas, extrovertidas, porém, nunca. Da mesma forma os extrovertidos ou expansivos poderão, dependendo do momento, apresentar-se mais eufóricos ou discretamente aborrecidos, muito depressivos jamais. Há, por outro lado, situações peculiares de personalidade que permitem oscilações extremadas da Afetividade, tal qual nos indivíduos chamados ciclotímicos.
Os afetos expressam todas as nuances do desejo, do prazer e da dor e todas estas nuances permeiam nossa experiência sensível, sob a forma daquilo que chamamos sentimentos vitais, humor e emoções.
O humor ou tonalidade afetiva momentânea (ou afetividade momentânea), consiste na soma total dos sentimentos presentes na consciência em dado momento acompanhando os processos intelectuais (percepções, representações, conceitos) neste determinado momento e que varia de acordo com as circunstâncias. Os estados de consciência estão a todo instante impregnados por esta tonalidade afetiva, pois todo ato psíquico encerra desde a sua origem numa tonalidade afetiva. No estado de ânimo há a confluência de uma vertente somática e de uma vertente psíquica, que se unem de maneira indissolúvel para dar, como conseqüência, um colorido especial à vida psíquica momentânea.
O estado afetivo momentâneo da pessoa, como por exemplo a alegria, o bem estar, júbilo, felicidade, inquietação, angústia, tristeza, desespero etc., depende das circunstâncias pessoais da vida, dos desejos atuais, das inclinações etc., e especialmente da saúde física. Muitas alterações desfavoráveis do estado afetivo são perfeitamente compreensíveis e refletem respostas adequadas aos motivos psicológicos causais, como, por exemplo, a morte de um parente, uma enfermidade grave, um acidente, um rompimento amoroso e assim por diante.
SentimentosSegundo Kurt Schneider, um dos componentes principais do estado de ânimo é o sentimento geral de maior ou menor vitalidade que se encontra ligado a múltiplas sensações subliminares procedentes de diferentes órgãos ou regiões do corpo. O humor é vivido corporalmente e está unido à própria corporalidade. É exemplo disso o humor eufórico do paciente maníaco, o qual sente o seu próprio corpo como flutuante, infatigável e cheio de vigor, enquanto o depressivo sente-o como apagado, pesado, fraco, decaído e murcho. O estado de ânimo depende consideravelmente das condições vegetativas do organismo e, de modo especial, de uma função que tem o seu centro no diencéfalo, à qual se dá o nome de função tímica.
Enquanto o humor tem uma representação corpórea mais pronunciada, o sentimento aparece como um estado afetivo mais atenuado, estável, duradouro e organizado com maior riqueza e complexidade. Kurt Schneider considera os sentimentos como estados do eu que não podem ser controlados pela vontade e que são provocados por nossas representações, pelos estímulos procedentes do mundo exterior ou por alterações sobrevindas no interior do organismo. Uma classificação dos sentimentos com base em sua estratificação foi estabelecida por Max Scheler, que os diferencia em quatro grupos:
1) sentimentos sensoriais; 2) sentimentos vitais; 3) sentimentos anímicos ou psíquicos, considerados como sentimentos do eu; 4) sentimentos espirituais ou da personalidade.
Os sentimentos sensoriais se encontram muito próximos da corporalidade, estão localizados em determinadas partes sensíveis do corpo e se representam tais como a dor e o prazer. Esses sentimentos são mais abrangentes e não devem ser confundidos com as sensações simples dos cinco sentidos. Os sentimentos sensoriais têm algumas características especiais: atualidade, localização, funcionam como sinal, no sentido de que algo está ocorrendo, não têm duração definida e falta-lhes a intencionalidade, o que não ocorre com os sentimentos superiores.
Os sentimentos vitais, tais como o bem-estar e o mal-estar, o sentimento de saúde ou de enfermidade, os sentimentos de vida ascendente ,ou descendente, a calma e a tensão, a alegria, a tristeza e a angústia não espiritual, pertencem ao organismo como totalidade. Ao contrário dos anteriores, os sentimentos vitais não estão localizados corporalmente, neles existe continuidade, duração e intencionalidade.
Os sentimentos anímicos ou psíquicos pertencem ao eu e são formas sentimentais reativas diante do mundo exterior. A tristeza e a alegria intencionais e reativas são claramente formas de sentimentos anímicos. A pessoa pode tornar-se triste ou alegre em conseqüência de uma notícia, o que demonstra, neste caso, a participação ativa do eu. Os sentimentos anímicos, então, não estão ligados à percepção, mas sim ao sentido, ao significado e representação daquilo que é percebido. Tristeza e alegria são uma modalidade do eu, e são sentimentos vitais, quando provenientes do fundo endotímico ou afetivo.
Por último, os sentimentos espirituais. Trata-se de sentimentos relativos ao núcleo da personalidade e à sua atitude afetiva diante de determinada situação. Esses sentimentos derivam do núcleo de sua personalidade, do próprio eu, e ocasionam o sentido pleno dos sentimentos, assim como as tendências valorativas da pessoa. O desespero, o remorso, a paz, o amor, o arrependimento, o perdão e a serenidade espiritual são exemplos deste sentimento sublime e supremo.
Hipertimia (afetos expansivos)
Na propedêutica dos Distúrbios da Afetividade, os Afetos Expansivos são considerados por alguns autores como afetos agradáveis. Isso, em contraposição aos afetos depressivos, considerados como desagradáveis. A tonalidade afetiva dos estados expansivos é de prazer, confiança e felicidade, daí a denominação de afetos agradáveis. Genericamente, o estado afetivo expansivo e conhecido como EUFORIA.
Na hipertimia ou estado de ânimo morbidamente elevado distinguem-se a euforia e a exaltação afetiva. A euforia simples se traduz por um estado de completa satisfação e felicidade. Verificam-se elevação do estado de ânimo, aceleração do curso do pensamento, loquacidade, vivacidade da mímica facial, aumento da gesticulação, riso fácil e logorréia. A euforia simples é observada nos indivíduos predispostos constitucionalmente e, em sua forma pura, na fase maníaca, da psicose maníaco-depressiva, nos estados hipomaníacos, na embriaguez alcoólica, na demência senil e na paralisia geral. Na epilepsia, podem-se verificar estados de euforia simples, nas crises de automatismos mímicos, em geral de duração rápida, que se manifestam por acessos ou crises agudas.
O paciente eufórico apresenta uma postura psíquica de otimismo exagerado, sentimento de plenitude e bem estar acima do normal, confiança em si mesmo aumentada e uma sólida segurança. Encontramos este estado de Euforia nos pacientes maníacos e hipomaníacos, conforme veremos ao estudarmos as entidades nosológicas.
O estado expansivo do humor pode aparecer como reação emocional à alguma vivência muito agradável, uma espécie de Reação Vivencial Eufórica a nível de uma SITUAÇÃO REAL. Nestes casos falamos em EXALTAÇÃO; reações exuberantes que se rompem em explosões de transbordamento de alegria, reconhecidamente exagerados, mas compreensivas diante da vivência causal. A Exaltação de um indivíduo que, por exemplo, ganha um prêmio ou é promovido no emprego, normalmente se traduz por hiperatividade psicomotora, taquipsiquismo, verborragia, anorexia, insônia, hilaridade e alegria transbordante. Portanto, manifesta-se como uma reação compatível mas desproporcional ao evento causador.
Os estados de Euforia podem, por outro lado, surgir sem que tenha havido uma situação real causadora. O humor é expansivo à nível de SITUAÇÕES ANÍMICAS, tal qual nas experiências delirantes de teor místico ou de beatificação, onde o Delírio tem como tema uma fantasia que proporciona bem estar ao paciente. Nestes casos, o tônus afetivo é ainda mais expansivo que na Exaltação e pode ser denominado de ÊXTASE. O êxtase é caracterizado por um peculiar e delicioso senso superior, um desprendimento das coisas materiais e a posse de algum tipo de poder incomum, às vezes, uma grande e irreal religiosidade. Pode aparecer em pacientes psicóticos, delirantes ou personalidades predispostas à idéias supervalorizadas.
Os pacientes portadores deste estado de êxtase experimentam um grande bem estar e suas faces denotam um júbilo indisfarçável. Nestas situações imaginárias, normalmente conseqüentes à idéias delirantes, deliróides ou supervalorizadas, os limites entre o pensamento lógico e mágico são tênues ou rompidos. Seu extremo patológico pode ser exemplificado pela esquizofrenia e, na extremidade limítrofe, pelo fanatismo.
Finalmente os estados eufóricos podem manifestar-se em resposta aos SENTIMENTOS VITAIS, via de regra emancipados causalmente dos fatores vivenciais-ambientais. É uma afetividade que brota do interior do ser e, por isso, independe das situações reais ou imaginárias. Trata-se de uma força interior profundamente arraigada à personalidade. Nestes casos os pacientes irradiam deleite e autoconfiança, apresentam hiperatividade motora intensa, excesso de alegria e hilaridade irradiante. Trata-se da ELAÇÃO. Na ELAÇÃO há um transbordamento dos sentimentos instintivos e um afastamento mais acentuado da realidade. Todos acontecimentos são recebidos com exagerada satisfação e felicidade pelo paciente, o qual, julga-se completamente imune aos acontecimentos negativos, mantém uma certa intimidade com divindades cósmicas e comporta-se destemidamente diante de qualquer desafio.
O Afeto Expansivo, ou seja, os Estados Eufóricos tomados isoladamente não podem ser considerados patognomônicos de nenhuma doença mental específica, mas compõem o quadro sintomático de diversas patologias. Podem fazer parte do quadro de Transtornos Afetivos Bipolares em fase maníaca, de Psicoses Esquizofrênicas ou de Transtornos da Personalidade. Algumas vezes aparecem nas intoxicações agudas por drogas ou em Psicoses induzidas por elas. Isso tudo não inviabiliza o aparecimento da Euforia em outros estados psíquicos, mesmo em casos de morbidade duvidosa.
Na exaltação patológica há não só euforia mas, também, aumento da convicção do próprio valor pessoal e das aspirações. É acompanhada de aceleração do curso do pensamento, que pode chegar à fuga de idéias, desvio da atenção e certa facilidade para passar rapidamente do pensamento à ação. Pode haver labilidade ou instabilidade afetiva desses pacientes se traduz pela extrema facilidade com que eles passam da euforia à tristeza ou à cólera. O estado de ânimo nesses casos é chamado de distimia expansiva. Nos estados de exaltação patológica os pacientes dão a impressão de serem mais jovens, há aumento do vigor geral, manifestações de apetite voraz e de excitação sexual, insônia, grande facilidade dos movimentos expressivos e tendência irresistível à ação.
Hipotimia (depressão)
Na hipotimia ou depressão, verifica-se o aumento da reatividade e sensibilidade para os sentimentos desagradáveis, podendo variar desde o simples mal-estar até ao estupor melancólico. Caracteriza-se, essencialmente por uma tristeza profunda, normalmente imotivada, que se acompanha de lentidão e inibição de todos os processos psíquicos. Em suas formas leves, a depressão se revela por um sentimento de mal-estar, de abatimento, de tristeza, de inutilidade e de incapacidade para realizar qualquer atividade.
Os pacientes hipotímicos estão dominados por um profundo sentimento de tristeza imotivada. No doente deprimido, as percepções são acompanhadas de uma tonalidade afetiva desagradável: tudo Ihe parece negro. Os doentes perdem completamente o interesse pela vida. Nada lhes interessa do presente nem do futuro e, do passado, são rememorados apenas os acontecimentos desagradáveis. As percepções são lentas, monótonas, descoloridas. Ao paciente parece que os alimentos perderam o sabor habitual. Nos estados depressivos, as ilusões são mais freqüentes do que as alucinações.
As idéias deliróides nos pacientes hipotímicos são comuns, expressando geralmente idéias de culpa, de indignidade, ruína, pecado e de auto-acusação. O pensamento é lento e o próprio ato de pensar é acompanhado de um sentimento desagradável. O conteúdo do pensamento exprime motivações dolorosas. O paciente é incapaz de livrar-se de suas idéias tristes pela simples ação de sua vontade ou dos "pensamentos positivos", como se diz.
O quadro clínico do estado afetivo depressivo é caracterizado pela inibição geral da pessoa, pela baixa performance global refletida pela lentidão e pobreza dos movimentos, pela mímica apagada, pela linguagem lenta, monótona e pelas dificuldades pragmáticas.
Os sintomas somáticos são bastante evidentes nos pacientes hipotímicos. Os distúrbios vasomotores se traduzem em mãos frias, algumas vezes pálidas e cianosadas, pela palidez dos lábios e hipotermia. São freqüentes os espasmos ou dilatações vasculares, com conseqüente oscilação da pressão arterial. Os pacientes deprimidos dão-nos a impressão de mais velhos. As perturbações digestivas também são constantes, a língua pode se apresentar saburrosa, há alterações do apetite, tanto com inapetência quanto com hiperfagia e constipação intestinal. Os distúrbios circulatórios ocasionam um sentimento subjetivo de opressão na região cardíaca, causando a chamada angústia precordial.
Em determinados casos, sob a influência de fatores externos ou em conseqüência de causas internas temporárias, a depressão pode aumentar de modo considerável, determinando um estado de excitação ansiosa. Quando o paciente, não encontra solução para seu sofrimento costuma pensar no suicídio.
A depressão patológica é um dos sintomas fundamentais do Transtorno Afetivo Bipolar, em sua fase depressiva. Estados depressivos também podem ser observados em todas as psicoses e neuroses. No Transtorno Afetivo Bipolar, entretanto, a depressão tem uma origem ligada a fatores afetivos internos (sentimentos vitais), que escapam à compreensão do doente e de seus familiares.
Nas Distimias, nas Reações Agudas ao Estresse e nas neuroses de modo geral, a depressão costuma ser mais reativa, isto é, mais psicogênica (mais anímica que vital), originando-se de situações psicologicamente compreensíveis e de experiências desagradáveis. A anormalidade do sentimento depressivo nesses quadros psicogênicos está na intensidade e na duração desse afeto em comparação às pessoas normais e não em sua qualidade, como acontece nos Transtornos Afetivos Bipolares.
O termo Depressão, mais comumente usado que Hipotimia, pode significar um sintoma que faz parte de inúmeros distúrbios emocionais sem ser exclusivo de nenhum deles, pode significar uma síndrome traduzida por muitos e variáveis sintomas somáticos ou ainda, pode significar uma doença, caracterizada por marcantes alterações afetivas. Portanto, não está errado dizer que o termo Depressão seja por demais descritivo e muito pouco explicativo. Há sempre uma estranha expectativa do público ao ouvir, do psiquiatra, com freqüência, que isso ou aquilo é Depressão, sem muito zelo com maiores explicações sobre este misterioso fenômeno.
O público está certo, ao estranhar a ostensiva e constante presença desta tal Depressão em quase tudo que diz respeito à transtornos emocionais e, os psiquiatras, não estão menos certos ao procurarem descobrir uma ponta de Depressão em quase tudo que lhes aparece pela frente. Do ponto de vista semiológico, seria extremamente fácil e cômodo se a Depressão fosse caracterizada, exclusivamente, por um rebaixamento do humor com manifestação de tristeza; coisa que até o amigo íntimo, o vizinho ou o dono da padaria da esquina poderiam diagnosticar. Entretanto, não se trata de saber se o paciente tem ou não Depressão, mas sim, o que exatamente ele faz com a sua Depressão, mais precisamente, de que forma este transtorno afetivo nele se manifesta.
Os afetos depressivos, da mesma forma como dissemos dos afetos expansivos, podem aparecer como uma resposta a SITUAÇÕES REAIS, através de uma Reação Vivencial depressiva, quando diante de fatos desagradáveis, aborrecedores, frustrações e perdas. Trata-se, neste caso, de uma resposta a conflitos íntimos e determinados por fatores vivenciais. Daí denominação DEPRESSÃO REATIVA, ou seja, em reação a alguma coisa real e acontecida, à uma fonte exógena que pode ser casualmente relacionada àquela reação.
Esta Depressão Reativa, embora compreensiva por tratar-se de uma reação afetiva à uma vivência desagradável, não deve ser entendida como normal e fisiológica mas apenas compreensível. Diante de fatos desagradáveis podemos esperar, fisiologicamente, a tristeza e não a Depressão e, quanto à isso, não devemos fazer nenhuma confusão. Esta última, a Depressão, deve ser uma denominação reservada para as Reações Vivenciais Anormais proporcionadas por circunstâncias vivenciais desagradáveis, ou seja, reações desproporcionais em quantidade, qualidade e temporalmente ao agente causal. Os sentimentos de tristeza que normalmente acompanham situações frustrantes são diferenciados da Depressão por não comportarem a tríade sintomática de Inibição Psíquica, Estreitamento de Campo Vivencial e Sofrimento Moral.
A Depressão pode aparecer ainda acompanhado, ou aparentemente motivada, por SITUAÇÕES ANÍMICAS. Neste caso, certas perspectivas futuras, certos anseios e objetivos de vida estão representados intrapsiquicamente de maneira negativa. Há um sentimento depressivo associado às conjecturas irreais de tal forma que o panorama atual dos acontecimentos e a expectativa do porvir são funestamente valorizados. Sofre-se por aquilo que não existe ainda ou, muito possivelmente, nem existirá. Um exemplo disso é a depressão experimentada diante da possibilidade da perda de um emprego, ou da perspectiva de vir a sofrer de grave doença e assim por diante.
Evidentemente, não se trata aqui, de que tais perspectivas sombrias estejam a alimentar a Depressão, mas muito pelo contrário, ou seja, a Depressão é quem confere um significado lúgubre às possibilidades do futuro. Não se pode acreditar que, neste caso, exista uma relação causal vivencial solidamente vinculada à Depressão, pois, de qualquer forma, as situações referidas como promovedoras e alimentadoras da Depressão não aconteceram ainda. Em outros termos e de acordo com que se sabe sobre Reações Vivenciais (vide adiante), falta o elemento estressor, o qual existe apenas na imaginação do paciente. Portanto, é lícito pensar já numa Depressão mais profundamente arraigada no ser, a qual, embora atrelada à personalidade, utiliza os elementos vivenciais apenas para nutrir sua necessidade de sofrimento (uma vez que, ainda não aconteceram concretamente).
Há, finalmente, casos de Depressão procedentes de um temperamento francamente depressivo ou seja, a nível de SENTIMENTOS VITAIS. São, neste caso, transtornos da afetividade emancipados dos elementos vivenciais quanto à causalidade. Isso não impede que sejam desencadeados por vivências traumáticas. Trata-se de uma Tonalidade Afetiva Básica rebaixada e, evidentemente, talhada à reagir sempre depressivamente à vida.
As pessoas que se encontram depressivas durante uma fase de suas vidas, cujo contexto vivencial sugere-nos uma circunstância sofrível, quer como conseqüência de um fato único, quer como uma somatória de fatos traumáticos sucessivos, sem que possamos detectar um temperamento depressivo prévio, provavelmente estarão apresentando uma Depressão Reativa. Neste caso, esta reação depressiva não pode ser tida como decorrência de uma Tonalidade Afetiva Depressiva de Base, mas como uma resposta emocional à uma circunstância de vida. Daí empregar-se, antigamente, a denominação de DEPRESSÃO EXÓGENA, ou seja, dependente de fatores externos à personalidade da pessoa. Depois de estabelecido nesta pessoa o estado depressivo, ainda que, conseqüente a fatores reais e externos à sua personalidade, tudo mais em sua vida parecerá depressivo, até que saia desta fase afetiva. Assim sendo, poderá também ser pessimista quanto à sua situação futura, portanto, depressivo quanto à Situações Imaginárias.
Da mesma forma, os pacientes portadores de Tonalidade Afetiva Depressiva de Base, por possuírem um temperamento previamente depressivo, independentemente dos fatos vividos, sempre estarão tingindo de negro suas perspectivas futuras. São portadores da, anteriormente denominada, DEPRESSÃO ENDÓGENA e, como se viu, relacionada não apenas ao Sentimentos Vitais como também às Situações Imaginárias.
A questão em se saber a natureza endógena ou exógena do estado depressivo, hoje em dia, parece não despertar o mesmo interesse de antes. Os indivíduos com características afetivas depressivas (anteriormente denominados de depressivos endógenos) reagirão sempre aos estímulos da vida de uma forma consoante ao seu afeto depressivo, portanto, dando-nos a falsa impressão de apresentarem Depressão Reativa: a maioria dos eventos, para eles, terá uma conotação negativa. Por outro lado, a clínica tem mostrado, com freqüência, determinadas vivências bastante suportáveis para alguns, ocasionando, em outros, verdadeiras Reações Depressivas. Isso nos sugere que tal Reação Depressiva não deve ser legada apenas aos elementos vivenciais.
No fundo, considerando o estado afetivo no qual o indivíduo se encontra no momento, tem sido tarefa muito penosa estabelecer a natureza de sua Depressão. Nestes casos, recorremos quase sempre à personalidade pregressa do paciente; se a tonalidade afetiva era, anteriormente, depressiva, há possibilidade deste estado depressivo atual ser de natureza endógena, mas mesmo assim não será uma implicação obrigatória.
Outras vezes, também de acordo com exemplos cotidianos da prática clínica, personalidades previamente bem adaptadas e sugerindo uma boa adequação afetiva poderão, não obstante, apresentar fases de profunda Depressão sem motivação vivencial. Procura-se, nestes casos de depressão sem motivação ambiental ou, talvez, em atenção a um conforto do terapeuta, justifica-la como decorrência da eventual somatória de vivências passadas. Certeza disso, entretanto, ninguém pode ter.
A psicopatologia recomenda como válido a existência de apenas três sintomas depressivos clássicos e suficientes para sua detecção, no entanto, estes sintomas podem manifestar-se de infinitas maneira nas diversas pessoas. Trata-se, esta tríade, da Inibição Psíquica, do Estreitamento do Campo Vivencial e do Sofrimento Moral. Compete à sensibilidade do observador, relacionar um sentimento, uma conduta, um pensamento ou um determinado sintoma como sendo uma tradução pessoal e individual de um desses três sintomas básicos da Depressão, tradução esta adequada a disposição pessoal da personalidade de cada um.
Inibição Psiquica
Inibição Psíquica é uma espécie de freio ou lentificação dos processos psíquicos em sua globalidade, uma dormência generalizada de toda a atividade mental. Em graus variáveis, esta inibição geral torna o indivíduo apático, desinteressado, lerdo, desmotivado, com dificuldade em suportar tarefas elementares do cotidiano e com grande perda na capacidade em tomar iniciativas. O campo da consciência e da motivação estão seriamente comprometidos, daí a dificuldade em manter um bom nível de memória, de rendimento intelectual, da atividade sexual e até da agressividade necessária para tocar adiante o dia-a-dia.
Percebe-se os reflexos desta inibição global inclusive na atividade motora, bastante diminuída, e até na própria expressão da mímica, através da aparência de abatimento e de desinteresse. Esta Inibição Psíquica tem sido a responsável pelo longo itinerário que tais pacientes percorrem antes de se acertarem com um tratamento psíquico. Começam pensando tratar-se de anemia, fraqueza, problema circulatório, depois passam a tratamentos alternativos de macrobiótica, yoga, tai-chi-chuam, submetem-se a passeios de gosto duvidoso levados por amigos bem intencionados e, muitas vezes, consultam até um neurologista. É o mais próximo que chegam da mente, provavelmente por considerarem que "nervoso" é uma doença ruim que só dá nos outros.
Diante da Inibição Psíquica da Depressão, uma das primeiras atitudes é submeter-se a algum exame de sangue, depois inúmeras radiografias. Normalmente a causa psíquica é a última a ser questionada, embora seja a primeira que se faz sentir. Os que rodeiam o paciente portador de Inibição Psíquica são solícitos em lembrá-lo de que a vida é boa, ressaltam que nada lhes falta, que gozam de saúde, não são ricos mas tem gente em pior situação, pertencem a uma família decente e compreensiva... O paciente, por outro lado, não sendo um retardado mental, sabe de tudo isso e as palavras estimulantes apenas aumentam sua perplexidade e seu aborrecimento consigo próprio. A Inibição Psíquica é secundária à Depressão, um sintoma decorrente da Depressão e não uma doença que corrompe o juízo crítico, tornando os pacientes completamente desorientados em relação às condições de vida ou familiar. Para tratá-la, de fato, deveremos abordar o problema de base, ou seja, abordar a Depressão.
Estreitamento do Campo Vivencial
O estreitamento do Campo Vivencial não pode ser diferenciado totalmente da Inibição Psíquica. A palavra mais adequada para designar este fenômeno é ANEDONIA, ou seja, a incapacidade em sentir prazer. Acontece que o deprimido destina a maior parte de sua energia psíquica para a manutenção da Depressão. Vale aqui o ditado de que a alegria consome-se em si própria e a depressão alimenta-se a si mesma. Esta destinação da energia psíquica para a manutenção da Depressão faz com que faltem forças para a manutenção do ânimo para todo panorama existencial.
O universo vivencial do deprimido vai sendo cada vez menor e mais restrito e a preocupação com seu próprio estado sofrível toma conta de todo seu interesse vivencial. Não há ânimo suficiente para admirar um dia bonito, para interessar-se na realização ocupacional, para degustar uma boa bebida, para deleitar-se com um filme interessante, para sorver uma boa companhia, para incrementar sua discoteca, enfim, em seu rol de ocupações só existe a preocupação consigo próprio. Nada mais lhe dá prazer, nada mais pode motivá-lo.
Neste caso o campo vivencial fica tão estreitado que só cabe o próprio paciente com sua Depressão, o restante de tudo que a vida pode lhe oferecer não mais interessa. Enquanto a Inibição Psíquica pode ser entendida como aspectos mais exteriores do relacionamento do indivíduo com o mundo, como uma espécie de prejuízo em seu rendimento de relacionamento, o Estreitamento do Campo Vivencial, por sua vez, denota uma alteração mais interiorizada, um prejuízo nas impressões que os objetos causam no sujeito. Um é centrífugo o outro centrípeto.
Sofrimento Moral
O Sofrimento Moral, ou sentimento de menos-valia, é o fenômeno mais marcante e mais desagradável na trajetória do depressivo. É um sentimento de autodepreciação, autoacusação, inferioridade, incompetência, pecaminosidade, culpa, rejeição, feiúra, fraqueza, fragilidade e mais um sem-número de adjetivos autopejorativos. Evidentemente, tais sentimentos aparecem em grau variado; desde uma sutil sensação de inferioridade até profundos sentimentos depreciativos.
Quando a Depressão adquire características psicóticas o Sofrimento Moral pode ser traduzido sob a forma de delírios humor-congruentes. Um judeu, psicótico depressivo, durante uma de suas crises de depressão profunda apresentava um pensamento francamente delirante, o qual dava-lhe a certeza de ter parte de seu cérebro apodrecido. Outrossim, julgava-se culpado por ter ingerido, contra os preceitos de sua religião, carne suína há mais de 15 anos atrás. Uma espécie de punição divina aplicada ao pecador incauto.
O prejuízo da auto-estima proporcionado pela Depressão pode ainda, dependendo da intensidade, determinar uma ideação claramente paranóide, onde a culpa adquire uma posição destacada. Para fins de diagnóstico, deve-se ter em mente que nas psicoses esquizofrênicas, onde freqüentemente aparece a ideação paranóide, a auto-estima não se encontra perturbada como nos estados depressivos psicóticos. Esta observação pode auxiliar o diagnóstico diferencial entre uma depressão com sintomatologia psicótica (ideação deliróide) e uma psicose esquizofrênica (com delírios)
O Sofrimento Moral deve, ainda, ser considerado como o sintoma mais responsável pelo desfecho suicida das depressões severas. Aparece como uma prova doentia da incompetência do ser, de seu fracasso diante da vida e de sua falência existencial. Enquanto nos estados eufóricos a auto-estima encontra-se patologicamente elevada e as idéias de grandeza proporcionam uma aprazível sensação de bem-estar ao paciente, na Depressão, através do Sofrimento Moral, coloca-se numa das posições mais inferiores entre seus semelhantes.
Apatia (indiferença afetiva)
Bleuler salienta, com muita razão, que a Apatia Afetiva no sentido de que a afetividade esteja completamente abolida, não se observa nunca em nenhuma psicose, entretanto, a diminuição do afeto é um sintoma constante em várias enfermidades mentais. Na esquizofrenia, por exemplo, os autores antigos admitiam a existência de um "embotamento afetivo", no sentido de uma derrocada completa da afetividade. Observações posteriores revelaram que o que se verifica, na realidade, é uma alteração qualitativa dos processos afetivos, tornando os sentimentos dos esquizofrênicos inadequados e inteiramente incompreensíveis para as pessoas afetivamente normais. Os pacientes se conservam apáticos e indiferentes diante de situações emocionais ou se manifestam alegres ante acontecimentos que, normalmente, provocam tristeza.
Indiferença afetiva e uma completa ausência de "sensibilidade moral" são observadas em certas personalidades anti-sociais (psicopáticas), especialmente naqueles indivíduos os quais Kurt Schneider chamava de "psicopatas insensíveis". Diz Schneider que esses pacientes "são indivíduos destituídos absolutamente de compaixão, de vergonha, de sentimento de honra, de remorso e de consciência". A indiferença afetiva revelada por certos criminosos habituais pode até conduzir ao erro de considerá-los como esquizofrênicos.
Bonhoeffer deixou uma descrição muito viva da apatia afetiva reveladas por alguns delinqüentes, os quais suportam estoicamente uma completa inatividade diante de situações que se tornariam desagradáveis ou insuportáveis para um indivíduo são. Em primeiro lugar, o simples não fazer nada, que se torna tão desagradável às pessoas normais, persiste e pode durar meses seguidos nessas pessoas, sem que nem por um instante sequer revelem alguma iniciativa ou manifestem verdadeiro desejo de trabalhar. Esse estado de apatia, de indiferença emocional, se assemelha a certos casos de falta de afetividade dos hebefrênicos.
Assim sendo, Isaías Paim acha que, acompanhando Schneider, a indiferença afetiva real, como uma incapacidade para sentir emoções delicadas, só é observada nessas personalidades) psicopáticas insensíveis, e ainda chama a atenção para a particularidade de que nem todos esses psicopatas insensíveis seriam, obrigatoriamente, personalidades anti-sociais. Na realidade, o termo mais adequado para definir tais pessoas é, exatamente, a insensibilidade afetiva, pessoas chamadas de "nervos de aço", ou "indivíduos capazes de marchar sobre cadáveres ".
Admitia-se também antigamente, que nos estados demenciais e na deficiência mental existiria uma deficiência obrigatória da afetividade. Também quanto a essa crença Bleuler mostrou que o transtorno se concentra na alteração de raciocínio e não no campo da afetividade. Os pacientes demenciados acabam perdendo o conceito do que é bom, do que é possível, do que é belo (moralmente falando) e, por conseguinte, não costumam revelar sentimentos adequados.
Manifestações de indiferença afetiva podem ser também observadas nos Transtornos Neuróticos. Na depressão o desinteresse pelas coisas do mundo exterior pode conduzir ao erro de considerar esses pacientes semelhantes aos casos de apatia afetiva esquizofrênica.
Incontinência Emocional
A Incontinência Emocional é uma forma de alteração da afetividade que se manifesta pela facilidade com que se produzem as reações afetivas, acompanhadas de certo grau de incapacidade para inibi-las. Diz Bleuler que a maioria dos pacientes com incontinência emocional domina-se pior que os demais. Tem de ceder diante dos acontecimentos mais insignificantes, tanto no que se refere a sua expressão como à ação que deles se deriva. Bleuler cita o exemplo de um paciente que não podia jogar cartas porque denunciava seu jogo com a fisionomia.
A Incontinência Emocional é um dos sintomas freqüentes nas perturbações psíquicas provocadas por lesões orgânicas do cérebro, manifestando-se também em várias psicoses e neuroses. Na arteriosclerose cerebral a Incontinência Emocional constitui um dos sintomas mais característicos. Nesses casos, os próprios pacientes se queixam de extrema facilidade para emocionar-se, com tendência ao choro fácil, o que não ocorria antes de adoecer. Segundo Nágera, a Instabilidade Afetiva nem sempre se apresenta junto com a Incontinência Emocional, pois existem pessoas que não podem conter as emoções, embora revelem tenacidade afetiva.
SugestibilidadeSugestibilidade é uma alteração de ordem tanto afetiva quanto volitiva. Trata-se de uma predisposição psíquica especial que determina uma grande receptividade e submissão às influências estranhas exercidas sobre a pessoa. No terreno puramente psíquico, encontra-se a sugestibilidade nos histéricos, razão pela qual se tornam esses pacientes muito favoráveis à produção de estados hipnóticos, de sintomas somáticos e até mesmo s de sintomas psicóticos.
Em alguns histéricos a sugestibilidade é exercida tanto no domínio da vida interior (auto-sugestibilidade) quanto em relação ao meio exterior (hétero-sugestibilidade).A sugestibilidade é também muito comum nos estados demenciais, nos quais é uma conseqüência de insuficiência intelectual. Na demência senil, a sugestibilidade adquire grande significação do ponto de vista médico-legal, em virtude de estarem esses pacientes sujeitos a explorações prejudiciais a seus interesses pessoais, extorsão de dinheiro, captação de herança etc.
A sugestibilidade pode ser também observada nos estados de excitação maníaca e nos alcoolistas. No delirium tremens, por exemplo, podem-se sugerir facilmente várias coisas ao paciente, inclusive as alucinações. Na catatonia, a sugestibilidade é predominantemente motora, razão pela qual será estudada nas alterações da atividade voluntária.
Ambivalência Afetiva
Apesar de não usar a palavra Ambivalência, Bleuler descreve as acentuações afetivas opostas e basicamente simultâneas nos indivíduos normais. Fala do amor e temor ou ódio que uma pessoa pode ter em relação a outra, dos acontecimentos que se temem e são desejados (uma operação, a tomada de posse de um cargo). O paciente ambivalente, apesar de não pode unir ambos sentimentos e tendências opostas, percebe-os ao mesmo tempo (ama e odeia), sem que ambos os sentimentos ajam entre si ou se debilitem. Deseja a morte da mulher e se as alucinações a apresentam morta, pode ao mesmo tempo ficar desesperado e chorar por isso.
Honório Delgado define a Ambivalência como a anormalidade das tendências, e que se caracteriza pela coexistência de juízos contraditórios sobre o mesmo objeto simultaneamente. Portanto, no plano afetivo a Ambivalência consiste em experimentar sentimentos opostos, simultaneamente e em relação ao mesmo objeto.
A Ambivalência Afetiva surge em todas as situações de conflito, especialmente nos Transtornos Neuróticos mas, será na esquizofrenia que a Ambivalência se apresentará com aspectos mais característicos e mais extremos.
Fobias
O termo Fobia é definido como um temor insensato, obsessivo e angustiante, que certos doentes sentem em situações específicas. A característica essencial da Fobia consiste no temor patológico, absurdo que escapa à razão e resiste a qualquer espécie de objeção da lógica e da razão. Refere-se a certos objetos, atos ou situações e pode apresentar-se sob os aspectos mais variados. O temor obsessivo aos espaços abertos (agorafobia) ou fechados (claustrofobia), aos contatos humanos ou com animais (cães, ratos), temor de atravessar ruas, de subir ou descer elevadores, de lugares altos etc.
A percepção sensorial real, direta e material da coisa ou do ser sobre o qual a fobia se sistematiza não é obrigatória ou necessária ao desencadeamento da reação ansiosa. Esta pode resultar de representações fotográficas. Apresentam-se as fobias em vários tipos de Transtornos Neuróticos, particularmente no Transtorno Fóbico-Ansioso e em alguns estados psicóticos.
IrritabilidadeBleuler considera a irritabilidade como uma predisposição especial ao desgosto, à ira e ao furor. Os pacientes irritáveis manifestam impaciência e aumento da capacidade de reação para determinados estímulos e intolerância à frustração, aos ruídos, às aglomerações. Nesses casos, a perturbação consiste no aumento da tonalidade afetiva própria das percepções, tanto que se pode verificar certa contradição na conduta dos doentes, os quais sofrem mais com a falta de consideração do ambiente do que propriamente com os ruídos produzidos no meio exterior, ou seja, interpretam o ruído mais como uma provocação do que um incômodo acústico.
No Transtorno Explosivo da Personalidade o sintoma principal é a irritabilidade. Nesses pacientes existe um grau elevado de reatividade emotiva, unido a uma extraordinária tensão afetiva, que se descarrega sob a forma de reações de tipo "curto-circuito". Estes surtos são paroxismos coléricos ou furiosos que põem em perigo a vida de pessoas do ambiente e a integridade da propriedade. Esses indivíduos, por exemplo, ouvem uma palavra qualquer e, antes que tenham compreendido o seu verdadeiro sentido, reagem de maneira explosiva, respondendo com insultos ou com atos de violência.
Nos estados de exaltação eufórica, quando os conflitos se tornam inevitáveis em virtude de o paciente manifestar superestimação da própria personalidade e elevação das aspirações, observam-se freqüentemente explosões de cólera e irritabilidade. Onde as manifestações de irritabilidade mórbida se tornam mais características é na epilepsia. Bleuler dizia que nos epilépticos existe, freqüentemente, uma irritabilidade crônica.
Desde o século passado autores de compêndios apontavam para a concordância clínica entre irritabilidade e epilepsia. Legrande du Saulle escreveu que "fora da crise convulsiva, os epilépticos são egoístas, desconfiados, sombrios, irritáveis e coléricos. Um gesto, um simples olhar bastam para causar-lhes muitas vezes, a mais penosa das impressões, inflamar-lhes a cólera. Já para Schüle, "o caráter dos epilépticos consiste numa extraordinária irritabilidade mórbida, que rapidamente se transforma em atos impulsivos. São indivíduos caprichosos, desconfiados, excitados contra si mesmos e contra os outros, turbulentos, ora de uma alegria cuja causa muitas vezes ignoram, ora de uma depressão exagerada, agora humildes e com tendências religiosas. logo orgulhosos, duros maus".
Foi de Falret o mérito de ter sido o primeiro a destacar as características psicológicas dos epilépticos, fora das crises convulsivas. Em 1861, Falret escreveu que a "irritabilidade constitui o traço dominante dos epilépticos. Esses doentes são geralmente desconfiados, questionadores, predispostos à cólera... " "...irritam-se com grande facilidade pelos motivos mais simples, entregando-se, freqüentemente, a atos de violência, instantâneos as mais das vezes, sem provocação nenhuma de parte daqueles que são suas vítimas. Júlio de Matos refere-se a esses pacientes como apresentando "uma excessiva irritabilidade, sempre pronta a explodir em cólera, não raro impulsionados à prática das ações mais violentas e cruéis.
Na década de 80, Maria Lúcia Coelho fazia seu doutorado em psiquiatria relacionando traços dos epilépticos, tanto dos convulsivos quanto dos não-convulsivos, e apontando também a irritabilidade e baixa tolerância à frustrações, entre outros traços, num minucioso e completo trabalho científico.
Entretanto, modernamente, para evitar alguma confrontação com o critério de epilepsia adotado pela neurologia, fala-se em Transtorno Explosivo Intermitente ou Transtorno Explosivo da Personalidade como uma ocorrência co-mórbida com a epilepsia. Mas, de qualquer forma, vale a dica e observação de tantos autores virtuosos...
AngústiaBlaser e Poeldinger estudaram a evolução do conceito de angústia, admitindo que se deve a Kierkegaard a primeira distinção entre temor a um objeto e a angústia, livre e flutuante, desprovida de objeto. Esta distinção foi adotada por Karl Jaspers, tendo deixado claro o seu conceito ao escrever que a angústia é um sentimento freqüente e torturante, e que o medo sempre se refere a alguma coisa, enquanto a angústia é sem objeto.
Desde então, esta tem sido a orientação seguida pelos tratadistas, entre os quais se encontra Binder, que desenvolveu amplas considerações no sentido de estabelecer os limites entre medo e angústia. "Se procurarmos estabelecer a diferença entre esses dois estados de ânimo, a introspecção nos mostrará que a vivência afetiva de encontrar-se em perigo aparece em duas modalidades diferentes: em uma forma diferenciada, em que o referido sentimento surge em estruturas psíquicas amplamente configuradas, precisas e determinadas; quando se costuma falar quase sempre da presença de medo ou temor, e em forma mais primitiva, que se designa de modo geral como angústia e que corresponde a estratos psíquicos mais profundos que, com freqüência, são menos claramente conscientes e conservam conexões psíquicas mais difusas e menos articuladas. Alguém teme algo ou sente medo diante de algo, enquanto alguém se angustia, e nestas locuções se expressa que no temor ou no medo do objeto perigoso aparece mais claramente destacado do indivíduo e é percebido, imaginado ou pensado como uma articulação e uma delimitação clara e determinada, enquanto na angústia os processos do conhecimento que a precedem são, freqüentemente, muito mais vagos e indiferenciados, características que correspondem a estratos psíquicos mais primitivos ".
Com referência a sua origem, o próprio Binder admitiu a possibilidade de a angústia apresentar três aspectos diferentes:
1 - Angústia VitalLopez Ibor considera a angústia vital como o elemento básico da personalidade humana, podendo surgir sem características patológicas mas, em condições mórbidas, está representada por seus graus mais acentuados. A angústia se acha corporalizada.
De acordo com Binder, esta forma de angústia apodera-se do consciente quando existem condições corporais íntimas ameaçadoras da vida. "Surge de modo mais claro nos estados de hipoxemia e anoxemia de qualquer natureza, seja devido a espasmos das coronárias (angina do peito), à perda de sangue (sempre que não leve à inconsciência), à dificuldade respiratória (asma brônquica, estrangulação) ou a asma cardíaca.
Bash considera que, nesses casos, a reação psíquica é perfeitamente normal: "O objeto se apresenta no consciente sob a forma de sensações viscerais". A própria debilidade constitucional, seja do sistema ou de sua regulação vegetativa, pode determinar o aparecimento de sensações desagradáveis, as quais são captadas como ameaça à integridade do eu, estando, nesse caso, a angústia vital ligada à depressão ou à transtorno orgânico. A angústia vital, exceto nos casos de depressão, indica um grave transtorno orgânico.
2 - Angústia RealO perigo ameaça a partir da circunstância. Ao contrário da Angústia Vital, a Angústia Real tem origem em uma ameaça conscientemente percebida, a qual provém do meio exterior e não de alguma parte interna do corpo. Bash admite que "circunstâncias da vida persistentemente humilhantes podem ocasionar o desenvolvimento de um estado de angústia crônica.
3 - Angústia MoralO perigo se encontra localizado na própria psique e, especialmente, em determinadas tendências psíquicas primitivas, que são afastadas por outras tendências, superiores e mais evoluídas, e que se orientam em outro sentido (conflito). Kielholz propos uma subdivisão da Angústia Moral, levando em consideração a possibilidade de uma angústia consciente e outra inconsciente, correspondendo esta última à angústia dita neurótica, à qual se refere de modo especial a literatura psicanalítica.
Kammerer é de opinião que todas as definições da angústia se reduzem a três condições essenciais:a) o sentimento da iminência de um perigo que virá, mas de um perigo indeterminado. Esse sentimento se acompanha da elaboração de temas trágicos, os quais ampliam todas as imagens na proporção de uma drama; b) a atitude atenta diante do perigo, verdadeiro estado de alerta, que invade todo o indivíduo, tendendo para a catástrofe que se avizinha; c) a desordem, isto é, a convicção da incapacidade absoluta e o sentimento de desorganização e de prostração diante do perigo.
O estado de angústia quase sempre perturba as funções fisiológicas e se expressa através de uma série de distúrbios autonômicos. Normalmente há constrição respiratória, dispnéia, opressão cardíaca, taquicardia, palpitações, lentidão ou aceleração do pulso, palidez, relaxamento da musculatura facial, espasmos em órgãos diversos, transpiração nas mãos e na face.
A angústia é um dos elementos fundamentais em Psicopatologia, representa o sintoma dominante na maioria dos transtornos neuróticos, e está presente em muitas psicoses, mormente em sua fase prodrômica.
para referir:Ballone GJ - Afetividade - in. PsiqWeb, Internet, disponível em http://www.psiqweb.med.br/, revisto em 2005
O objetivo deste BLOGG é apresentar textos que abordam as vivencias no ambiente de RH,publicação de artigos de psicologia em geral e temas sobre:R&S,T&D,Setor Pessoal,Pesquisa Salarial,entre outros.
quinta-feira, 26 de julho de 2007
quarta-feira, 25 de julho de 2007
DICA DE LEITURA
O presente texto não é de minha autoria. Achei-o importante pela abordagem do tema que trata do envelhecimento de profissionais que viveram para o ambiente organizacional e posteriormente apresentaram quadros depressivos.
Este livro, apesar de já publicado, foi o que depreendi ao ler o artigo abaixo, me fez recordar meu trabalho de conclusão de curso que também tratou do envelhecimento, porém, relacionado com a questão da memória social e que teve por base o pensamento de HALWABCKS.
O link para consultar esta materia é:
http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/junho2005/ju293pag11.html
Livro traz histórias de idosos que viveram para o trabalhoe apresentam sintomas depressivos após a aposentadoria
ELOS REFEITOS
LUIZ SUGIMOTO
Irineu, primeiro filho homem de uma família nipônica, foi criado para ser o provedor da casa. Quando pequeno, seu pai o chamou e lhe mostrou a viga mestra que sustentava a residência: “Você é aquela viga, se você ruir, vai ruir tudo”. Irineu foi à luta, passou pelas provas de uma educação severa, tanto escolar como familiar. Formou-se economista, trabalhou como nunca, constituiu família, criou filhos igualmente bem-sucedidos e aposentou-se com uma renda de 20 salários mínimos, o suficiente para o gozo de um merecido descanso. Mas o que deveria ser um período de paz virou pesadelo e Irineu caiu em depressão profunda, refugiando-se no quarto por quatro meses. Sentiu-se perdido porque perdeu o trabalho.
Carlos, pardo, filho de mãe índia e pai italiano, estudou por quatro anos em escola de padres para meninos pobres, mas aos 13 já estava na metalúrgica produzindo certo componente para freios, respondendo por uma cota de 3 mil peças por dia. Só fez trabalhar na vida, assim, repetitivamente. Quando precisava ganhar mais, recorria às horas extras; quando quis comprar sua casa, trabalhou aos sábados e domingos e vendeu as férias. Aposentou-se ganhando a metade do salário. Não encontrou sossego nem no espaço do lar, onde a mulher o tratava como vagabundo e mandava que arrumasse a cozinha, em reprimenda por não conseguir outro emprego. Menosprezado sempre que implorava uma vaga nas empresas, deu-se conta do significado da menos valia e caiu em depressão.
Augusta, uma negra analfabeta, foi lavradora e depois empregada doméstica na cidade. Comeu o pão que o diabo amassou, sem nunca perder a fé e a capacidade de enfrentamento. É possível que, por não ter passado pela escola, mantivesse ilesa a sua espontaneidade criadora, o que a tornou capaz de superar os dramas da vida porque alimentava sempre a expectativa de que algo de bom se abriria mais à frente. Se para os companheiros idosos o asilo é uma perda, a última estação, para Augusta é um ganho, o abrigo onde pode manter o relacionamento digno e igualitário que a sociedade sempre lhe negou. Augusta chega à velhice psicologicamente íntegra.
As trajetórias de Irineu, Carlos, Augusta e outras histórias de vida dos aposentados estão no livro Elos refeitos, de autoria do psicólogo Jaime Lisandro Pacheco, pesquisador convidado do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM). Fruto de tese de doutorado defendida na Faculdade de Educação da Unicamp, sob orientação da professora Olga Von Simson, o livro está no prelo, prestes a ser lançado em co-edição com a Editora Setembro, que mantém uma linha de títulos voltada para o envelhecimento humano. “Não se trata de obra dirigida apenas a pesquisadores, apesar do respeito à linguagem científica e das notas de rodapé. Meu objetivo é colaborar para que adultos maduros, que passarão por este processo, façam uma reflexão sobre si mesmos, e também subsidiar profissionais de recursos humanos envolvidos na preparação de trabalhadores para a vida de aposentados”, afirma Pacheco.
Observação – Segundo o pesquisador, o livro nasceu de uma observação antiga, quando coordenava a residência de psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) no Núcleo de Atenção ao Idoso, então um programa novo que se tornaria um dos maiores do país, atendendo a cerca de 2 mil pessoas. “Observamos que 50% dos idosos apresentavam sintomas depressivos e depressão moderada ou severa, na maioria das vezes porque não conseguiam viver sem o trabalho, por mais massacrante que fosse o ofício e por mais que tivessem desejado jogar tudo para o alto e sonhado com a aposentadoria. Agora, eu quis investigar como a educação formal formata o indivíduo para o trabalho e a dificuldade que ele, na inatividade, encontra para criar novos círculos de amizade e refazer sua história”, ressalta.
Jaime Pacheco lembra que os idosos de hoje freqüentaram a escola por volta dos anos 1940 e 50, quando os alunos eram obrigados a pôr-se de pé à entrada do professor, sendo impensável contestá-lo. Ali, já começavam a ser enquadrados para o trabalho assalariado, repetitivo, taylorista, sem sentido, que consumiria o melhor dos seus dias para depois “premiá-los” com a aposentadoria. Paralelamente à formatação feita na educação formal, havia o discurso da família e de instituições como a igreja, pregando que “o trabalho dignifica o homem”, que uma pessoa só poderia se realizar pelo trabalho, não importando qual fosse. “Hoje, a carteira assinada é importante porque nos assegura direitos. Mas, no início dos anos 1970, havia o crime de vadiagem, e o indivíduo precisava andar com a carteira profissional no bolso para provar à polícia que era cidadão honesto e trabalhador”, ilustra.
No momento da aposentadoria, de acordo com o psicólogo, o ex-trabalhador vive duas situações: a primeira, ao trocar a atividade produtiva, com todas as suas relações sociais, por papéis secundários que provocam um sentimento de menos valia; a segunda, ao se ver na porta de entrada para a velhice, num mundo moderno onde ser velho significa não ser efetivamente respeitado pelo conjunto da sociedade e, às vezes, pela própria família. “Quando o presidente Fernando Henrique sugeriu que quem se aposenta antes da velhice é vagabundo, não pretendeu atacar os aposentados com sua declaração infeliz, apenas refletiu o que está na cabeça dos ocidentais: que só têm valor os que trabalham, produzindo segundo os moldes capitalistas”, compara.
Método – Jaime Pacheco dispunha de duas formas de viabilizar sua pesquisa. Uma era a quantitativa, elaborando e aplicando um questionário em grande amostra de idosos, computando os dados para corroborar ou não sua hipótese. Outra era o método biográfico, através de depoimentos dos idosos, mergulhando na relação que eles mantiveram com a escola, a família e o trabalho. Convivendo há bom tempo com idosos do Lar dos Velhinhos de Campinas e do Ambulatório de Neuropsiquiatria e Saúde Mental do Idoso no Hospital das Clínicas (HC) da Unicamp, o psicólogo selecionou oito sujeitos – cinco institucionalizado e três não institucionalizados –, todos ex-trabalhadores apresentando sintomas depressivos, mas de diferentes classes sociais e etnias.
“Minha proposta foi tecer e comparar histórias. É um processo trabalhoso, pois não se trata de dar um tratamento estatístico à pesquisa, mas de partilhar da caminhada de cada idoso e entender como as perdas na vida sem o trabalho, executando papéis de menos valia, levaram a estados depressivos”, descreve Pacheco. Em suas conclusões, define a escola formal como formatadora do indivíduo para o trabalho repetitivo, sem dar-lhe a possibilidade de optar por outros meios de sobrevivência. “A escola, quanto mais da classe popular, mais formatadora”, resume.
Outro problema apontado pelo psicólogo é a falta de espaço para que o idoso fale sobre si mesmo, a fim de se entender como sujeito socialmente produzido. “Quando o aposentado compreende que a culpa não é dele – ‘devia ter estudado mais, trabalhado mais, poupado mais’ –, mas sim do sistema, torna-se capaz de refazer seus projetos de vida, sair do estado depressivo e buscar seu espaço enquanto sujeito criativo. Com a terapia e as nossas conversas em grupo, Irineu, o filho de japoneses, se conscientizou de que era fruto de um processo educacional e cultural extremamente severo. Hoje, é outra pessoa”, assegura o pesquisador, que mantém a relação de amizade com os entrevistados.
Comparando histórias como as de Irineu, Carlos e Augusta, Jaime Pacheco concluiu, também, que a condição financeira e o grau de escolaridade não são determinantes para o estado depressivo na aposentadoria, embora seja natural pensar que ao pobre restariam poucas alternativas para refazer seu mundo, enquanto o rico poderia se ocupar com um hobby ou lazer. “O Lar dos Velhinhos abriga uma senhora judia, Ester, que se casou na França com um filho de diplomata e, nos anos de 1940 e 50, viajou o mundo. Sem filhos, perdeu o marido e tudo o que possuía por uma série de contingências. A questão não é a origem ou quanto o idoso possui, mas o que sobra dele
Este livro, apesar de já publicado, foi o que depreendi ao ler o artigo abaixo, me fez recordar meu trabalho de conclusão de curso que também tratou do envelhecimento, porém, relacionado com a questão da memória social e que teve por base o pensamento de HALWABCKS.
O link para consultar esta materia é:
http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/junho2005/ju293pag11.html
Livro traz histórias de idosos que viveram para o trabalhoe apresentam sintomas depressivos após a aposentadoria
ELOS REFEITOS
LUIZ SUGIMOTO
Irineu, primeiro filho homem de uma família nipônica, foi criado para ser o provedor da casa. Quando pequeno, seu pai o chamou e lhe mostrou a viga mestra que sustentava a residência: “Você é aquela viga, se você ruir, vai ruir tudo”. Irineu foi à luta, passou pelas provas de uma educação severa, tanto escolar como familiar. Formou-se economista, trabalhou como nunca, constituiu família, criou filhos igualmente bem-sucedidos e aposentou-se com uma renda de 20 salários mínimos, o suficiente para o gozo de um merecido descanso. Mas o que deveria ser um período de paz virou pesadelo e Irineu caiu em depressão profunda, refugiando-se no quarto por quatro meses. Sentiu-se perdido porque perdeu o trabalho.
Carlos, pardo, filho de mãe índia e pai italiano, estudou por quatro anos em escola de padres para meninos pobres, mas aos 13 já estava na metalúrgica produzindo certo componente para freios, respondendo por uma cota de 3 mil peças por dia. Só fez trabalhar na vida, assim, repetitivamente. Quando precisava ganhar mais, recorria às horas extras; quando quis comprar sua casa, trabalhou aos sábados e domingos e vendeu as férias. Aposentou-se ganhando a metade do salário. Não encontrou sossego nem no espaço do lar, onde a mulher o tratava como vagabundo e mandava que arrumasse a cozinha, em reprimenda por não conseguir outro emprego. Menosprezado sempre que implorava uma vaga nas empresas, deu-se conta do significado da menos valia e caiu em depressão.
Augusta, uma negra analfabeta, foi lavradora e depois empregada doméstica na cidade. Comeu o pão que o diabo amassou, sem nunca perder a fé e a capacidade de enfrentamento. É possível que, por não ter passado pela escola, mantivesse ilesa a sua espontaneidade criadora, o que a tornou capaz de superar os dramas da vida porque alimentava sempre a expectativa de que algo de bom se abriria mais à frente. Se para os companheiros idosos o asilo é uma perda, a última estação, para Augusta é um ganho, o abrigo onde pode manter o relacionamento digno e igualitário que a sociedade sempre lhe negou. Augusta chega à velhice psicologicamente íntegra.
As trajetórias de Irineu, Carlos, Augusta e outras histórias de vida dos aposentados estão no livro Elos refeitos, de autoria do psicólogo Jaime Lisandro Pacheco, pesquisador convidado do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM). Fruto de tese de doutorado defendida na Faculdade de Educação da Unicamp, sob orientação da professora Olga Von Simson, o livro está no prelo, prestes a ser lançado em co-edição com a Editora Setembro, que mantém uma linha de títulos voltada para o envelhecimento humano. “Não se trata de obra dirigida apenas a pesquisadores, apesar do respeito à linguagem científica e das notas de rodapé. Meu objetivo é colaborar para que adultos maduros, que passarão por este processo, façam uma reflexão sobre si mesmos, e também subsidiar profissionais de recursos humanos envolvidos na preparação de trabalhadores para a vida de aposentados”, afirma Pacheco.
Observação – Segundo o pesquisador, o livro nasceu de uma observação antiga, quando coordenava a residência de psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) no Núcleo de Atenção ao Idoso, então um programa novo que se tornaria um dos maiores do país, atendendo a cerca de 2 mil pessoas. “Observamos que 50% dos idosos apresentavam sintomas depressivos e depressão moderada ou severa, na maioria das vezes porque não conseguiam viver sem o trabalho, por mais massacrante que fosse o ofício e por mais que tivessem desejado jogar tudo para o alto e sonhado com a aposentadoria. Agora, eu quis investigar como a educação formal formata o indivíduo para o trabalho e a dificuldade que ele, na inatividade, encontra para criar novos círculos de amizade e refazer sua história”, ressalta.
Jaime Pacheco lembra que os idosos de hoje freqüentaram a escola por volta dos anos 1940 e 50, quando os alunos eram obrigados a pôr-se de pé à entrada do professor, sendo impensável contestá-lo. Ali, já começavam a ser enquadrados para o trabalho assalariado, repetitivo, taylorista, sem sentido, que consumiria o melhor dos seus dias para depois “premiá-los” com a aposentadoria. Paralelamente à formatação feita na educação formal, havia o discurso da família e de instituições como a igreja, pregando que “o trabalho dignifica o homem”, que uma pessoa só poderia se realizar pelo trabalho, não importando qual fosse. “Hoje, a carteira assinada é importante porque nos assegura direitos. Mas, no início dos anos 1970, havia o crime de vadiagem, e o indivíduo precisava andar com a carteira profissional no bolso para provar à polícia que era cidadão honesto e trabalhador”, ilustra.
No momento da aposentadoria, de acordo com o psicólogo, o ex-trabalhador vive duas situações: a primeira, ao trocar a atividade produtiva, com todas as suas relações sociais, por papéis secundários que provocam um sentimento de menos valia; a segunda, ao se ver na porta de entrada para a velhice, num mundo moderno onde ser velho significa não ser efetivamente respeitado pelo conjunto da sociedade e, às vezes, pela própria família. “Quando o presidente Fernando Henrique sugeriu que quem se aposenta antes da velhice é vagabundo, não pretendeu atacar os aposentados com sua declaração infeliz, apenas refletiu o que está na cabeça dos ocidentais: que só têm valor os que trabalham, produzindo segundo os moldes capitalistas”, compara.
Método – Jaime Pacheco dispunha de duas formas de viabilizar sua pesquisa. Uma era a quantitativa, elaborando e aplicando um questionário em grande amostra de idosos, computando os dados para corroborar ou não sua hipótese. Outra era o método biográfico, através de depoimentos dos idosos, mergulhando na relação que eles mantiveram com a escola, a família e o trabalho. Convivendo há bom tempo com idosos do Lar dos Velhinhos de Campinas e do Ambulatório de Neuropsiquiatria e Saúde Mental do Idoso no Hospital das Clínicas (HC) da Unicamp, o psicólogo selecionou oito sujeitos – cinco institucionalizado e três não institucionalizados –, todos ex-trabalhadores apresentando sintomas depressivos, mas de diferentes classes sociais e etnias.
“Minha proposta foi tecer e comparar histórias. É um processo trabalhoso, pois não se trata de dar um tratamento estatístico à pesquisa, mas de partilhar da caminhada de cada idoso e entender como as perdas na vida sem o trabalho, executando papéis de menos valia, levaram a estados depressivos”, descreve Pacheco. Em suas conclusões, define a escola formal como formatadora do indivíduo para o trabalho repetitivo, sem dar-lhe a possibilidade de optar por outros meios de sobrevivência. “A escola, quanto mais da classe popular, mais formatadora”, resume.
Outro problema apontado pelo psicólogo é a falta de espaço para que o idoso fale sobre si mesmo, a fim de se entender como sujeito socialmente produzido. “Quando o aposentado compreende que a culpa não é dele – ‘devia ter estudado mais, trabalhado mais, poupado mais’ –, mas sim do sistema, torna-se capaz de refazer seus projetos de vida, sair do estado depressivo e buscar seu espaço enquanto sujeito criativo. Com a terapia e as nossas conversas em grupo, Irineu, o filho de japoneses, se conscientizou de que era fruto de um processo educacional e cultural extremamente severo. Hoje, é outra pessoa”, assegura o pesquisador, que mantém a relação de amizade com os entrevistados.
Comparando histórias como as de Irineu, Carlos e Augusta, Jaime Pacheco concluiu, também, que a condição financeira e o grau de escolaridade não são determinantes para o estado depressivo na aposentadoria, embora seja natural pensar que ao pobre restariam poucas alternativas para refazer seu mundo, enquanto o rico poderia se ocupar com um hobby ou lazer. “O Lar dos Velhinhos abriga uma senhora judia, Ester, que se casou na França com um filho de diplomata e, nos anos de 1940 e 50, viajou o mundo. Sem filhos, perdeu o marido e tudo o que possuía por uma série de contingências. A questão não é a origem ou quanto o idoso possui, mas o que sobra dele
domingo, 22 de julho de 2007
A questão do TER e do SER
Respirei fundo e escutei o velho e orgulhoso som do meu coração. Eu sou, eu sou, eu sou.
Pensamento de Sylvia Plath.
Há algum tempo soube que determinado profissional que atuava há vários anos no ambiente de RH houvera adoecido. O fato me surpreendeu, pois, eu o achava determinado, firme e, obstinado nas ações que tinha que tomar, em decorrência de determinações da direção maior da empresa e dos processos de RH que deveriam ser levados a efeito.
Pensamento de Sylvia Plath.
Há algum tempo soube que determinado profissional que atuava há vários anos no ambiente de RH houvera adoecido. O fato me surpreendeu, pois, eu o achava determinado, firme e, obstinado nas ações que tinha que tomar, em decorrência de determinações da direção maior da empresa e dos processos de RH que deveriam ser levados a efeito.
Entretanto, vale recordar que o nível de stress a que são submetidos todos os profissionais em suas diversas áreas de atuação são tão intensas que todos ficam como que tomados pelo corre-corre do dia a dia e, se envolvem em grandes preocupações, estas na verdade tomam corpo dentro de seu corpo emocional e a saúde realmente fica afetada diante de tantas preocupações.
Neste ponto vale a pena relembrar o pensamento de Sylvia Plath que vem de encontro ao que pretendo falar, mesmo em breves linhas, que é o processo de busca, muitas vezes desenfreada, de cada um de nós, para nos colocarmos nos melhores níveis no ambiente da organização. É a questão da preservação do STATUS QUO. A disputa por posições é acentuada. A forma de chegar ao poder temporal dos cargos, e que em algumas situações são deselegantes e, que muitas vezes são veiculadas/divulgadas essas ações dentro da organização – para muitos a rádio corredor – afirma que são utilizados formas e meios tão inusitados para ocupar estes cargos que nos surpreendemos.
Estas ações denotam em muitos casos a necessidade do TER em detrimento do SER. Não é fácil, pois este processo de busca para TER já se encontra de tal modo implantado em nosso inconsciente, em virtude da forma pelo qual fomos “educados”, ou seja, a sermos sempre os primeiros dentro do grupo social - orientados desde crianças por nossos genitores - os quais também receberam várias e várias mensagens para ocuparem posições de destaque e, que tendo conseguido ou não tentaram incutí-la em nós, e aí a mensagem sinalizada ficou como sendo verdadeira em nossa intimidade emocional. Daí os momentos de tristeza, de lágrimas quando não conseguimos a devida colocação no colégio, na comunidade, na faculdade, entre outros.
Outro fator que incute a necessidade de sucesso é a ação da mídia que apresenta todos os profissionais de renome ocupando cargos elevados, possuidor de carros de última geração, de belas mulheres, e outros tantos. Assim, há um estímulo para essa disputa a tal ponto, que, sem nos apercebermos, podem nos causar mal e, assim, não nos apercebendo disso (desculpem a redundância), vamos paulatinamente adoecendo.
Este fato é interessante e foi retratado recentemente pela empresa de televisão REDE GLOBO em sua novela diária PARAISO TROPICAL quando retratou a postura do profissional vitorioso, vigoroso, rico e frio que o Sr. ANTENOR. No desenrolar do enredo da novela houve uma mundança na vida dele a tal ponto que ele adoeceu de raiva, teve um processo de infarto do coração, quase morreu, mas depois de algum tempo mudou o seu estilo de vida. Ainda assim preserva os traços de sua personalidade marcante, pois, até para ter um filho (como se fosse objeto negociável) para não perder a fortuna pessoal construída a duras penas - é o que se depreende ao assistir a novela - foi agressivo com sua parceira nesta última semana.
Este fato é interessante e foi retratado recentemente pela empresa de televisão REDE GLOBO em sua novela diária PARAISO TROPICAL quando retratou a postura do profissional vitorioso, vigoroso, rico e frio que o Sr. ANTENOR. No desenrolar do enredo da novela houve uma mundança na vida dele a tal ponto que ele adoeceu de raiva, teve um processo de infarto do coração, quase morreu, mas depois de algum tempo mudou o seu estilo de vida. Ainda assim preserva os traços de sua personalidade marcante, pois, até para ter um filho (como se fosse objeto negociável) para não perder a fortuna pessoal construída a duras penas - é o que se depreende ao assistir a novela - foi agressivo com sua parceira nesta última semana.
Concluindo esta breve reflexão que trata de nosso adoecimento em muitos casos pela busca pessoal, por colocação no mercado de trabalho e a preocupação em ter que se destacar nesta sociedade, vale a pena trazer o pensamento de Sócrates que dizia:
“Deixe quem desejaria mudar o mundo primeiro mudar a si mesmo”.
“Deixe quem desejaria mudar o mundo primeiro mudar a si mesmo”.
Fabricio Menezes Psicólogo
CRP 01.11.163
quarta-feira, 18 de julho de 2007
Tragedias - Dor para quem as sofre

Tragedias - Dor para quem as sofre!
Ninguém pode livrar os homens da dor, mas será bendito aquele que fizer renascer neles a coragem para a suportar. (Selma Lagerlof)
Esta é a minha singela oferta para a reflexão de todos nós, para que possamos pensar sobre o sofrimento das pessoas e, ainda sobre aqueles que se abatem sobre cada um de nós.
Qualquer tipo de perda na essência mexe muito com cada um de nós. E ontem, o nosso país, se viu envolvido com mais uma notícia de perda, de dor, que foi o fato do acidente acontecido com o avião da TAM, aonde, pereceram mais de 100 pessoas.
Em psicologia existe um termo que reflete este processo de digestão, se assim posso me exprimir, que é a fase que todos nós temos para lidar com a dor, o sofrimento: é o LUTO.
Apenas o tempo, o apoio dos familiares, de amigos e dos profissionais da área médica e de saúde mental que forem acionados poderão contribuir para aliviar esse processo emocional. Além, é claro da fé em DEUS que cada um cultiva. A vivência desta perda é de cada um daqueles familiares que encontram-se envolvidos nesse processo, mas também, para cada um de nós que não fomos diretamente atingidos, mas somos parte desta familia brasileira, da familia universal.
Assim, rogo a Deus, muita serenidade a estes familiares e competência para os nossos governantes para diligenciarem as medidas necessárias para a solução deste e de outros problemas em nosso país que startam em todos nós momentos de dor e sofrimento.
FabricioMenezes
Psicologo e Analista RH
CRP 01/11.163
sábado, 14 de julho de 2007
Organização - Sinal de Saúde

Organização – Sinal de Saúde.
William J. Bennett dizia: “não nos transformamos de uma hora para outra naquilo que não cooperamos para nos tornar”. E ele tem razão, o processo de mudança pessoal é muito lento. Pode levar a vida toda, pois até na hora de nossa morte física temos a oportunidade de refletir sobre o que fizemos de bom ou de ruim ao longo da vida. Esta reflexão será tema de um texto sobre a nossa morte na organização em breve.
Um autor religioso já afirmava a mais de 130 anos que muitos de nossos problemas são gerados a partir de nossos conflitos pessoais, ou seja, da falta de organização pessoal. Vale a pena relembrar o conceito do 5S’s que têm com proposta contribuir para que o nosso ambiente de trabalho, pessoal e a execução de nossas tarefas tenham qualidade. Assim, vale relembrar o passo a passo:
· SEIRI – relacionado com organização, utilização, descarte, liberação do local.
· SEITON - relacionado com a ordenação e a arrumação
· SEISO – relacionado com a limpeza
· SEIKETSU – relacionado com a padronização, asseio, saúde
· SHITSUKE – relacionado com a disciplina e autodisciplina
Com o SEIRI cada um de nós começa a perceber que é importante ter apenas tudo aquilo que é necessário e que se relaciona com o nosso ambiente de trabalho. Ou seja, é sempre bom verificar o que é útil, separar o que tem utilidade ou não no meu ambiente de trabalho e se não interessa para o processo dispô-lo para os demais colegas, se for este o caso.
Com o SEITON cada um de nós começa a perceber que é importante ter ordem ao se guardas os nossos objetos de trabalho, pois quando alguém precisar podem muito facilmente localiza-lo. Ou seja, é sempre bom verificar como guardar as coisas, definir os locais para guardá-los podendo inclusive criar uma marca visual para melhor identifica-lo.
Com o SEISSO cada um de nós começa a perceber que é importante manter o local limpo e os instrumentos como máquinas entre outros em estado de funcionamento. Ou seja, é sempre bom contribuir com o ambiente fazendo pelo menos uma pequena faxina ou quando necessário entrar em contato com a equipe de limpeza, técnicos da área de informática – suporte.
Com o SEIKETSU cada um de nós começa a perceber que é importante ter uma percepção do local de trabalho contribuindo com o nosso bem estar. Assim é cuidar da sua própria saúde física e emocional e contagiar os demais colegas de trabalho com isto. Ou seja, respeitando o ambiente de trabalho, os colegas e tornando-o cada vez mais adequado e harmonioso para todos. Vale ressaltar que enquanto cidadão na organização você pode agregar este passo com o processo desenvolvido pela equipe da CIPA, com o SESMET dando as suas sugestões e colaborações.
Com o SHITSUKE cada um de nós começa a perceber que é importante ter disciplina, ou seja, criando hábito para por em prática todos os passos. Eles em seu conjunto se refletirão no nosso dia a dia.
Para tudo bom senso, ordem. O excesso de ordem, limpeza e, em exagero, pode refletir, em alguns casos, um nível de ansiedade muito alto e um quadro de mania acentuado. Neste item recomendo o filme MELHOR IMPOSSIVEL com Jack Nicolson.
Concluindo, vale a pena lembrar do saudoso ANATOLE FRANCE que afirmou certa vez que “para realizar grandes conquistas, devemos não apenas agir, mas também sonhar; não apenas planejar, mas também acreditar”.
A todos bom inicio de semana.
Fabricio Menezes
Psicólogo
CRP 01/11.163
Observação:
Se você desejar fazer uma crítica sobre este texto pode postar a sua mensagem no BLOGG ou enviar mensagem para o e-mail: fmenezesster@gmail.com ou terapeuta_fabricio@yahoo.com
William J. Bennett dizia: “não nos transformamos de uma hora para outra naquilo que não cooperamos para nos tornar”. E ele tem razão, o processo de mudança pessoal é muito lento. Pode levar a vida toda, pois até na hora de nossa morte física temos a oportunidade de refletir sobre o que fizemos de bom ou de ruim ao longo da vida. Esta reflexão será tema de um texto sobre a nossa morte na organização em breve.
Um autor religioso já afirmava a mais de 130 anos que muitos de nossos problemas são gerados a partir de nossos conflitos pessoais, ou seja, da falta de organização pessoal. Vale a pena relembrar o conceito do 5S’s que têm com proposta contribuir para que o nosso ambiente de trabalho, pessoal e a execução de nossas tarefas tenham qualidade. Assim, vale relembrar o passo a passo:
· SEIRI – relacionado com organização, utilização, descarte, liberação do local.
· SEITON - relacionado com a ordenação e a arrumação
· SEISO – relacionado com a limpeza
· SEIKETSU – relacionado com a padronização, asseio, saúde
· SHITSUKE – relacionado com a disciplina e autodisciplina
Com o SEIRI cada um de nós começa a perceber que é importante ter apenas tudo aquilo que é necessário e que se relaciona com o nosso ambiente de trabalho. Ou seja, é sempre bom verificar o que é útil, separar o que tem utilidade ou não no meu ambiente de trabalho e se não interessa para o processo dispô-lo para os demais colegas, se for este o caso.
Com o SEITON cada um de nós começa a perceber que é importante ter ordem ao se guardas os nossos objetos de trabalho, pois quando alguém precisar podem muito facilmente localiza-lo. Ou seja, é sempre bom verificar como guardar as coisas, definir os locais para guardá-los podendo inclusive criar uma marca visual para melhor identifica-lo.
Com o SEISSO cada um de nós começa a perceber que é importante manter o local limpo e os instrumentos como máquinas entre outros em estado de funcionamento. Ou seja, é sempre bom contribuir com o ambiente fazendo pelo menos uma pequena faxina ou quando necessário entrar em contato com a equipe de limpeza, técnicos da área de informática – suporte.
Com o SEIKETSU cada um de nós começa a perceber que é importante ter uma percepção do local de trabalho contribuindo com o nosso bem estar. Assim é cuidar da sua própria saúde física e emocional e contagiar os demais colegas de trabalho com isto. Ou seja, respeitando o ambiente de trabalho, os colegas e tornando-o cada vez mais adequado e harmonioso para todos. Vale ressaltar que enquanto cidadão na organização você pode agregar este passo com o processo desenvolvido pela equipe da CIPA, com o SESMET dando as suas sugestões e colaborações.
Com o SHITSUKE cada um de nós começa a perceber que é importante ter disciplina, ou seja, criando hábito para por em prática todos os passos. Eles em seu conjunto se refletirão no nosso dia a dia.
Para tudo bom senso, ordem. O excesso de ordem, limpeza e, em exagero, pode refletir, em alguns casos, um nível de ansiedade muito alto e um quadro de mania acentuado. Neste item recomendo o filme MELHOR IMPOSSIVEL com Jack Nicolson.
Concluindo, vale a pena lembrar do saudoso ANATOLE FRANCE que afirmou certa vez que “para realizar grandes conquistas, devemos não apenas agir, mas também sonhar; não apenas planejar, mas também acreditar”.
A todos bom inicio de semana.
Fabricio Menezes
Psicólogo
CRP 01/11.163
Observação:
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Saber ouvir e falar para viver bem no ambiente organizacional.

Saber ouvir e falar para viver bem no ambiente organizacional.
O renomado autor de Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes, Stephen R Covey, publicou um livro de pensamentos, não dele, mas, uma coletânea de idéias de diversos homens que muito contribuíram com a sua presença no ambiente social de suas épocas, livro este chamado de Princípios essenciais das pessoas altamente eficazes, publicado pela Editora Sextante. O autor procurar inserir dentro dos 7 hábitos idéias que relacionam-se e que permitem uma reflexão de quem lê acerca do seu dia a dia - enquanto cidadão do mundo e cidadão no ambiente organizacional. Interessante, recomendo que o leiam.
Mas, sigamos em frente. Entre os pensamentos citados há um que se relaciona com o Hábito 5: procure primeiro compreender, depois ser compreendido. Assim, o autor inicia este tópico com a seguinte afirmativa: “quando ouvimos mais com intenção de compreender os outros do que com a de retrucar, começamos a construir a verdadeira comunicação e o verdadeiro relacionamento. As oportunidades para falar abertamente e ser mais bem compreendido surgem de modo mais fácil e espontâneo. Procurar compreender exige consideração, procurar ser entendido requer coragem. A eficácia reside no equilíbrio das duas coisas”. Importante refletir sobre esta síntese do relacionamento.
O processo da escuta é algo muito profundo, que o digam os profissionais da área de psicologia, e nele me incluo. Não é fácil. A que ter muito treinamento para esta arte. Este processo – saber escutar – não fica limitado apenas ao ambiente do consultório. Ele se estende a toda situação que se desenvolve em diversos ambientes onde cada um de nós está ou esteja atuando.
Assim, no ambiente de RH não seria diferente. Desde aquele que esteja na ponta, ou seja, atuando na área de administração de pessoal executando um processo de rescisão, por exemplo, se a escuta sobre o pedido, solicitação ou determinação da administração não for claro, o operador poderá ao final da execução da tarefa: homologar no sindicato a rescisão - ter desencadeado uma situação que vai gerar mais um conflito ou um novo ônus para a empresa.
Que bom seria se no corre-corre de nossas tarefas as nossas ações verbais e dos gestores fossem cada vez mais claras, objetivas. Como todos estão envolvidos com diversas atividades - quer seja no processo de R&S ou T&D, ou ainda nas reuniões setoriais de avaliação da equipe, no processo dos diversos sistemas de qualidade que hoje existem para contribuir com o resultado final dos serviços, quanto mais claros sejam as nossas palavras, melhor para todos.
Ainda não temos compreendidos plenamente que falar claramente, expor as idéias é muito importante. Ainda mais no trabalho em equipe, aonde somos todos diferentes. Senão vamos relembrar apenas o titulo que didaticamente recebemos quando trabalhamos em conjunto: o mal humorado, o fofoqueiro, o mandão, o esperto, o bonzinho, o bajulador, entre outros. É muito difícil na prática coordenar estas diferenças, mesmo para o gestor como também para cada um de nós.
Mas o mundo organizacional tem este formato - várias diferenças, diversas idiossincrasias, mas não é o fim. O filosofo Soren Kierkegaard dizia: “durante a primeira fase da vida de um homem o maior perigo é não arriscar”. Procurando fazer uma correlação com este pensamento, arriscar será treinar a escuta frente a estes diversos tipos de colegas que em determinados dias vestem a roupa ou a máscara para sobreviver no ambiente organizacional.
Portanto, já o dizia Henry John Kaiser: “Os problemas são apenas oportunidades com roupas de trabalho”. Que bom! Graças a deus que já temos maquina de lavar roupa.
A todos bom final de semana!
Fabricio Menezes
Psicólogo
CRP 01/11.163
Observação:
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O renomado autor de Os 7 hábitos das pessoas altamente eficazes, Stephen R Covey, publicou um livro de pensamentos, não dele, mas, uma coletânea de idéias de diversos homens que muito contribuíram com a sua presença no ambiente social de suas épocas, livro este chamado de Princípios essenciais das pessoas altamente eficazes, publicado pela Editora Sextante. O autor procurar inserir dentro dos 7 hábitos idéias que relacionam-se e que permitem uma reflexão de quem lê acerca do seu dia a dia - enquanto cidadão do mundo e cidadão no ambiente organizacional. Interessante, recomendo que o leiam.
Mas, sigamos em frente. Entre os pensamentos citados há um que se relaciona com o Hábito 5: procure primeiro compreender, depois ser compreendido. Assim, o autor inicia este tópico com a seguinte afirmativa: “quando ouvimos mais com intenção de compreender os outros do que com a de retrucar, começamos a construir a verdadeira comunicação e o verdadeiro relacionamento. As oportunidades para falar abertamente e ser mais bem compreendido surgem de modo mais fácil e espontâneo. Procurar compreender exige consideração, procurar ser entendido requer coragem. A eficácia reside no equilíbrio das duas coisas”. Importante refletir sobre esta síntese do relacionamento.
O processo da escuta é algo muito profundo, que o digam os profissionais da área de psicologia, e nele me incluo. Não é fácil. A que ter muito treinamento para esta arte. Este processo – saber escutar – não fica limitado apenas ao ambiente do consultório. Ele se estende a toda situação que se desenvolve em diversos ambientes onde cada um de nós está ou esteja atuando.
Assim, no ambiente de RH não seria diferente. Desde aquele que esteja na ponta, ou seja, atuando na área de administração de pessoal executando um processo de rescisão, por exemplo, se a escuta sobre o pedido, solicitação ou determinação da administração não for claro, o operador poderá ao final da execução da tarefa: homologar no sindicato a rescisão - ter desencadeado uma situação que vai gerar mais um conflito ou um novo ônus para a empresa.
Que bom seria se no corre-corre de nossas tarefas as nossas ações verbais e dos gestores fossem cada vez mais claras, objetivas. Como todos estão envolvidos com diversas atividades - quer seja no processo de R&S ou T&D, ou ainda nas reuniões setoriais de avaliação da equipe, no processo dos diversos sistemas de qualidade que hoje existem para contribuir com o resultado final dos serviços, quanto mais claros sejam as nossas palavras, melhor para todos.
Ainda não temos compreendidos plenamente que falar claramente, expor as idéias é muito importante. Ainda mais no trabalho em equipe, aonde somos todos diferentes. Senão vamos relembrar apenas o titulo que didaticamente recebemos quando trabalhamos em conjunto: o mal humorado, o fofoqueiro, o mandão, o esperto, o bonzinho, o bajulador, entre outros. É muito difícil na prática coordenar estas diferenças, mesmo para o gestor como também para cada um de nós.
Mas o mundo organizacional tem este formato - várias diferenças, diversas idiossincrasias, mas não é o fim. O filosofo Soren Kierkegaard dizia: “durante a primeira fase da vida de um homem o maior perigo é não arriscar”. Procurando fazer uma correlação com este pensamento, arriscar será treinar a escuta frente a estes diversos tipos de colegas que em determinados dias vestem a roupa ou a máscara para sobreviver no ambiente organizacional.
Portanto, já o dizia Henry John Kaiser: “Os problemas são apenas oportunidades com roupas de trabalho”. Que bom! Graças a deus que já temos maquina de lavar roupa.
A todos bom final de semana!
Fabricio Menezes
Psicólogo
CRP 01/11.163
Observação:
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sexta-feira, 13 de julho de 2007
Qualidade de Vida no Trabalho

Bom dia!
A Dra. Ana Magnolia - UNB aprensentou um PROJETO DE QUALIDADE DE VIDA NA ORGANIZAÇÃO PÚBLICA(formato PDF) muito interessante. Inicialmente ela utilizou uma afirmativa muito comum no ambiente organizacional:
A Dra. Ana Magnolia - UNB aprensentou um PROJETO DE QUALIDADE DE VIDA NA ORGANIZAÇÃO PÚBLICA(formato PDF) muito interessante. Inicialmente ela utilizou uma afirmativa muito comum no ambiente organizacional:
" Só de pensar em vir trabalhar, já fico de mau-humor".
Isto é um fato realmente. Quantos de nós não acordamos e não temos aquele mínimo desejo de deslocar-se de casa para o trabalho?. Tudo, creio eu, também, que é em decorrência do ambiente de desconforto que se estabelece lá no local de trabalho. Se na empresa privada já há problemas, imaginemos na máquina pública. Este último era o ambiente para o estudo e implantação da proposta da Dra. Ana Magnolia: implantar este projeto de qualidade de vida. Não sei se ela conseguiu. Mas não é fácil.
Ela muito bem lembra que "o modelo de gestão organizacional deve primar pela compatibilidade entre bem- estar dos servidores, desempenho funcional e missão institucional." Essencial esse modelo,pois, leva em conta vários aspectos que se interagem entre/desde o colaborador, a organização, a sociedade, os beneficiarios(população em geral) dos serviços executados.
Se voce deseja uma cópia da apresentação em PDF basta mandar um e-mail para: Fmenezesster@gmail.com
Abraços a todos,
FabricioMenezes
quinta-feira, 12 de julho de 2007
Administracao de Pessoal - Trabalho árduo

De acordo com a minha ex-chefe de RH - Regina Célia Carvalho mexer no bolso do colaborador é doloroso demais, pois, causa mágoas, ressentimentos, insatisfações.
A partir deste ponto, é sempre bom lembrar que esta tarefa para muitos é a parte menos brilhante do RH (creio, sejam desinformados),tenho certeza que esta é complementar e de apoio aos demais processos da área. Esquecem-se estes que na administração de pessoal os processos de admissao, demissao, folha de pagamento, beneficios, controle de sistema de ponto e demais tarefas que se integram irão refletir a atuação da equipe envolvida e naturalmente a imagem da área de RH.
Neste aspecto, o resultados destas tarefas/processos refletem-se também com a área de contabilidade, financeira da empresa, e ainda com os orgãos responsáveis pelo administração do FGTS, de aposentadoria e beneficios que é o INSS, com os diversos Sindicatos, com o pagamento do seguro-desemprego entre outros.
Problemas operacionais existem, entre eles, atualizações de aplicativos da folha de pagamento, do sistema de ponto, do beneficio e por aí vai. Além destes, dependendo do contexto, o ajuste da equipe de trabalho pode também contribuir também para este "desaranjo" nos resultados.
Vale ressaltar, em síntese, que estas tarefas demandam realmente trabalho, esforço de toda a equipe, assim também é importante que haja atualização de conhecimento, os quais podem ser obtidos através de cursos ministrados por orgãos respeitados. Entre estes como exemplo queremos citar: SEBRAE-AM, FIEAM, SESI entre outros. Obras existem as mais diversas que explicam a CLT e a parte operacional do processo. Dentre eles, pessoalmente gosto muito da obra do professor ARISTEU DE OLIVEIRA com o seu MANUAL DE PRATICA TRABALHISTA já em sua 41º Edição, o IOB - CONSUTORIA.
O professor Annibal Fernandes prefaciando o manual referenciado acima afirma:" A complexidade das relações dos empregados(...) com as empresas e de todas as personagens com os orgãos da administração pública faz do Departamento Pessoal um elemento singularmente dinâmico na vida e estrutura da empresa moderna(...)."
Tarefa árdua esta, porém, prazerosa quando realizada com responsabilidade e compromisso de todos os que nela labutam.
Fabricio Menezes
Psicólogo e Analista de RH
terça-feira, 3 de julho de 2007
Casa monstro, tema sobre o apego e situações de STRESS.

Quero sugerir a você que assista ao filme Monster House (Casa Monstro) produzido pela Columbia Pictures com direção de Gil Kenan. Nele se destacam os personagens DJ, Bocão, e Jane e como foco principal o velho Epaminondas e sua esposa Constancia. Ela – Constancia – vivia presa num circo e era muito gorda sendo alvo de gozação de todos aqueles que iam ao circo e, em especial das crianças que também jogavam tomates e, por isto ela nutria uma grande raiva.
Uma excelente produção faz rir tanto crianças como adultos. E sendo adulto também me diverti. Mas o foco principal ao final é o sentimento de posse, de carência e de apego.
Assim, vendo o sofrimento de Constancia e de Epaminondas - que era a prisão afetiva que os unia - achei o enfoque interessante, pois, o nível de stress que é desencadeado nestas questões e em outras, quais as financeiras e econômicas, desencadeiam muito sofrimento. E todos nós em níveis maiores ou não já passamos por várias situações que nos fazem sofrer e ficar retidos, presos a diversas questões.
Recentemente foi veiculada na TV uma reportagem sobre um empresário que simplesmente sumiu em um determinado dia e não mais retornou, ele, segundo a reportagem era um empresário falido, com problemas de saúde. Havia perdido quase tudo aquilo que de material que sonhou, desejou em profundidade. Diante desta e de outras situações fui em busca de meus apontamentos e livros para relembrar que o nível de stress profundo desencadeia um processo de adoecimento chegando até o nível psicológico.
Com este enfoque recordei dos Transtornos Dissociativos dentre os quais fazendo apenas uma pequena correlação com o caso acima, desde que não tenha havido uma outra situação social de extrema agressividade para que fosse desencadeado o desaparecimento do empresário, re-li sobre a Fuga Dissociativa. O individuo com este quadro “inesperadamente viaja para um local, assume uma nova identidade e sofre amnésia de sua identidade anterior”. Isto porque foi submetido a um nível de stress no ambiente social intensivo e, assim sem reservas emocionais adequadas não consegue administrar as situações e “apaga”. Este tema foi motivo há alguns de alguns filmes que tratavam destas questões.
Nesse sentido quer seja na convivência familiar – que é o caso do filme Casa Monstro – ou nos processos de colocação no mercado de trabalho, quer seja enquanto gestor, empreendedor ou simplesmente colaborador é sempre bom observar-se, perceber a quantas andam nossos níveis de ansiedades ou de stress por conta dos desejos e sonhos que todos possuímos.
Analisar com tranqüilidade as diversas situações que desencadeiam em cada um de nós medo de perder, de ser menosprezado, entre outros é essencial. A sociedade em linhas gerais sempre às voltas com as questões do TER relega em grande parte aquilo que é SER.
Em momentos de tristeza, sempre é bom poder conversar. Procurar um amigo para quando estes momentos chegarem é muito importante, pois, falar significa desabafar, não reter a emoção negativa e com isso relaxar. Quando isto não for mais possível e perceber um acentuado descontrole no trato destas questões, é sempre bom ir em busca de um profissional da área da saúde mental: psiquiatra, psicólogo, psicoterapeuta e outros credenciados.
Texto:
Fabricio S Menezes
Psicólogo
CRP 01/11.163
sexta-feira, 29 de junho de 2007
Mudança – Processo Paulatino

Quem controla as suas palavras é sábio e quem mantém a calma mostra que é inteligente.
Pv 17:27
Rei Salomão
A afirmativa do Rei Salomão vem em boa hora, pois, esta conduta é muito importante quando tomada quer seja no ambiente organizacional, familiar, entre outros. No tocante ao ato em si deveremos considerar que o processo de percepção individual frente ao ambientes – fatos, coisas, situações - envolve alguns aspectos essenciais, pois é com estes que teremos facilidade ou não para agir com mais tranqüilidade.
Analisando estes pontos lembrei de duas teorias que tive oportunidade de estudar in passant que era a TEORIA de CAMPO de Lewin que afirmava que o comportamento é derivado da totalidade dos fatos e eventos coexistentes em determinada situação. As pessoas comportam-se em face de uma situação total envolvendo fatos e eventos que constituem seu ambiente. (grifo meu). Um outro ponto elencado pelo autor refere-se a que os fatos têm uma característica de um campo dinâmico e também de forças, aonde cada fato tem uma inter-relação dinâmica com os demais, influenciando-os ou sendo influenciado por eles. Ou seja, o resultado de tudo seria o que ele chama de campo psicológico.
Em síntese: o campo psicológico é o espaço de vida que contém a pessoa e seu ambiente psicológico. Ele (o ambiente) representaria o que o individuo percebe e interpreta acerca de seu ambiente externo.
Já Festinger utilizou-se da TEORIA da DISSONANCIA COGNITIVA para explicar que o individuo procurar ter uma conduta que reflita o estado de consonância ou consistência (coerência) com ela mesma. Se o individuo possui uma cognição sobre si mesma e sobre seu ambiente que são inconsistentes entre si irá desencadear uma dissonância cognitiva, ou seja, ela em termos gerais vai desencadear várias inconsistências na conduta dele. Em síntese quando há um conflito ou inconsistência (entre o que eu penso e faço) haverá uma dissonância.
Entendo que entre o pensar e fazer, ou seja, ter uma atitude adequada para um evento social ou outra expressão que queiram utilizar demanda a movimentação desse conjunto de fatores, acrescidos no dizer de Freud daquilo que também compõem a estrutura do superego, que são as regras, valores assimilados pelo individuo.
Portanto, o processo de mudança individual que também irá refletir-se no comportamento social não é tão simples de acontecer, ele é profundo e paulatino. Se nos dispuser a promovermos o nosso momento de mudança nunca é tarde.
Referencias:
FESTINGER, Leon. A theory of congnitive dissonance. Stanford: Stanford University Press, 1957
LEWIN, Kurt. Principles of topological psychology. New York: McGraw-Hill, 1936.
Rei Salomão
A afirmativa do Rei Salomão vem em boa hora, pois, esta conduta é muito importante quando tomada quer seja no ambiente organizacional, familiar, entre outros. No tocante ao ato em si deveremos considerar que o processo de percepção individual frente ao ambientes – fatos, coisas, situações - envolve alguns aspectos essenciais, pois é com estes que teremos facilidade ou não para agir com mais tranqüilidade.
Analisando estes pontos lembrei de duas teorias que tive oportunidade de estudar in passant que era a TEORIA de CAMPO de Lewin que afirmava que o comportamento é derivado da totalidade dos fatos e eventos coexistentes em determinada situação. As pessoas comportam-se em face de uma situação total envolvendo fatos e eventos que constituem seu ambiente. (grifo meu). Um outro ponto elencado pelo autor refere-se a que os fatos têm uma característica de um campo dinâmico e também de forças, aonde cada fato tem uma inter-relação dinâmica com os demais, influenciando-os ou sendo influenciado por eles. Ou seja, o resultado de tudo seria o que ele chama de campo psicológico.
Em síntese: o campo psicológico é o espaço de vida que contém a pessoa e seu ambiente psicológico. Ele (o ambiente) representaria o que o individuo percebe e interpreta acerca de seu ambiente externo.
Já Festinger utilizou-se da TEORIA da DISSONANCIA COGNITIVA para explicar que o individuo procurar ter uma conduta que reflita o estado de consonância ou consistência (coerência) com ela mesma. Se o individuo possui uma cognição sobre si mesma e sobre seu ambiente que são inconsistentes entre si irá desencadear uma dissonância cognitiva, ou seja, ela em termos gerais vai desencadear várias inconsistências na conduta dele. Em síntese quando há um conflito ou inconsistência (entre o que eu penso e faço) haverá uma dissonância.
Entendo que entre o pensar e fazer, ou seja, ter uma atitude adequada para um evento social ou outra expressão que queiram utilizar demanda a movimentação desse conjunto de fatores, acrescidos no dizer de Freud daquilo que também compõem a estrutura do superego, que são as regras, valores assimilados pelo individuo.
Portanto, o processo de mudança individual que também irá refletir-se no comportamento social não é tão simples de acontecer, ele é profundo e paulatino. Se nos dispuser a promovermos o nosso momento de mudança nunca é tarde.
Referencias:
FESTINGER, Leon. A theory of congnitive dissonance. Stanford: Stanford University Press, 1957
LEWIN, Kurt. Principles of topological psychology. New York: McGraw-Hill, 1936.
quarta-feira, 27 de junho de 2007
Retificação Artigo postado hoje
Prezados leitores,
O texto que foi postado na manhã de hoje, 27/06/2007 não é de minha autoria. Ele foi extraido deste link: http://www.algosobre.com.br/psicologia/o-que-e-psicotecnico.html.
Este ponto é para esclarecer, pois, se voce clicar no artigo ele automaticamente irá abrir esta pagina.
Atenciosamente,
FabricioMenezes
Psióologo
O texto que foi postado na manhã de hoje, 27/06/2007 não é de minha autoria. Ele foi extraido deste link: http://www.algosobre.com.br/psicologia/o-que-e-psicotecnico.html.
Este ponto é para esclarecer, pois, se voce clicar no artigo ele automaticamente irá abrir esta pagina.
Atenciosamente,
FabricioMenezes
Psióologo
Teste Psicotécnico

Fonte: http://www.algosobre.com.br/psicologia/o-que-e-psicotecnico.html
“Dialético é aquele que tem uma visão do conjunto, não-dialético é o que não tem” (Platão)
Embora a expressão Exame Psicotécnico esteja fortemente associada a concurso público e a exigência legal para habilitação de motorista, o psicotécnico é um tipo de avaliação psicológica que se realiza, de modo geral, nas indústrias e organizações. Na verdade, trata-se de um processo que pressupõe a utilização de recursos para abordar os dados psicológicos de forma sistemática, através de métodos e técnicas orientados para a resolução do problema (CUNHA, 1993), ou identificação das diferenças individuais. Esse tipo de exame se realiza por meio de entrevista, testes psicológicos, questionário, autobiografia, dinâmica de grupo, etc. No caso de inaptidão temporária, em concurso público, e mediante solicitação judiciária, se realiza a entrevista chamada de Devolutiva. Esta, no entanto não garante a reinserção do candidato no páreo seletivo, apenas atenua, dentro do possível, a frustração em relação a esse resultado.
O Teste Psicológico é um dos instrumentos mais conhecidos da psicologia e representam o único campo de atuação privativa do psicólogo (HUTZ e BANDEIRA, 2003). Ou seja, em outras palavras o teste psicológico é de uso exclusivo do psicólogo. Salvo a exceção do estagiário de psicologia que esteja sob a supervisão de um psicólogo, nenhum profissional de outra área pode lançar mão do material de teste psicológico, sob pena de sofrer punição. Um teste psicológico se define como sendo uma amostra objetiva e padronizada de um comportamento, cuja função implica em mensurar diferenças entre indivíduos e suas reações, em situações diversas (CFP, 2000). E também como um procedimento sistemático para observar o comportamento e descrevê-lo com a ajuda de escalas numéricas ou categorias fixas (CRONBACH apud PASQUALI, 2001). Em qualquer área do contexto psicológico, o teste sempre consistirá em um instrumento auxiliar do psicólogo e que, para gerenciá-lo, requer do mesmo treinamento e conhecimentos específicos.
A entrevista é utilizada nas mais diversas profissões, e consiste em mais um outro instrumento indispensável nas diversas áreas de atuação do psicólogo. No processo seletivo, a Entrevista Psicológica tem como função básica oferecer subsídio ao examinador (psicólogo), a respeito do examinado ou testado (candidato). Ou seja, como afirma Gil (1999) a entrevista é “uma forma de diálogo assimétrico, em que uma das partes busca coletar dados e a outra se apresenta como fonte de informação”(p.117). E “o que nos guia numa entrevista, do mesmo modo que em um tratamento, não é a fenomenologia reconhecível, mas o ignorado, a surpresa” (GOLDER, 2000, p. 45). Mais do que delinear um plano de ação, a entrevista, em si mesma, se constitui numa modalidade avaliativa. Entretanto, apesar de sua relevância, não se pode desconhecer a subjetividade de interpretação do entrevistador, na qual estão inclusos seus valores, estereótipos, preconceitos, etc. Segundo Augras (1994), “assumir a própria subjetividade não é substituir as suas problemáticas aos conflitos do paciente. É reconhecê-la para delimitá-la, transformando-a em ferramenta para a compreensão do outro”(p.14). Assim, para neutralizar prováveis interferências, o psicólogo planeja e sistematiza essa peça de trabalho, do mesmo modo com o qual procura objetivar os indicadores do perfil profissiográfico.
A entrevista psicológica funciona como uma situação onde se observa parte da vida do candidato ou paciente, porém, nesse contexto não consegue emergir a totalidade do repertório de sua personalidade. A entrevista não pode substituir e nem excluir outros modalidades de investigação mais extensa e profunda, a exemplo da psicoterapia ou do tratamento psicanalítico que demanda tempo, e favorece a emergência de certos núcleos da personalidade. Esse tipo de assistência, também não pode prescindir da entrevista. Geralmente, a entrevista é alvo de crítica por apresentar lacunas, dissociações e contradições que levam alguns pesquisadores a considerá-la um instrumento pouco confiável. Porém, como salienta Bleger (1980), essas dissociações e contradições fazem parte dos indivíduos que, ao refleti-las, a entrevista oferece condições para que as mesmas sejam elaboradas. Este questionamento psicológico pode ser também um processo grupal, ou seja, com um ou mais entrevistadores e/ou entrevistados. No entanto, este é sempre em função da sua dinâmica, um fenômeno de grupo, mesmo que seja com a participação de um entrevistado e de um entrevistador. Enfim, desde que bem estruturada e corretamente conduzida a entrevista psicológica respalda o psicólogo no fechamento das suas considerações.
No que se refere ao uso dos testes psicológicos, sua escolha no exame psicotécnico ocorre de acordo com a descrição das tarefas do cargo em questão, formando, assim, um conjunto de testes: objetivos (inteligência, aptidão, etc.), de personalidade (projetivos), que compõem a chamada Bateria de Testes Psicológicos. Esta, por sua vez, tem como finalidade captar uma série de condutas, em decorrência dos variados estímulos a que o testando é submetido. Os testes psicológicos têm que apresentar confiabilidade, ou seja, grau de precisão; e validade que é a capacidade de atingir os seus objetivos (CFP, 2000). Os testes não devem ser considerados pelo psicólogo como o foco principal do psicotécnico em detrimento da pessoa do candidato, porque, como já visto acima, isoladamente, ele não favorece a compreensão da “totalidade” de sua personalidade, etc. Os testes são instrumentos científicos que, na sua construção, passam por experimentos e comprovações empíricas. Mas, para que essa condição seja contemplada, se faz necessário obedecer a outros critérios, a exemplos da padronização (nos procedimentos), da isonomia (tratamento idêntico para todos) e do controle das variáveis intervenientes na sua aplicação.
Após a coleta dos dados e das informações, se faz a apuração e análise dos resultados que terá a sua tradução num documento denominado Parecer Psicológico que, de forma sucinta, constará das condições internas e manifestas do examinado, e que será encaminhado ao solicitante. O sigilo profissional determina que, visando preservar o examinado de exposição desnecessária, o psicólogo não deve escrever neste documento tudo que sabe a seu respeito, mas apenas as características que são inerentes aos propósitos seletivos. O sigilo e a segurança dos resultados dos testes devem seguir a seguinte norma: ser arquivados de modo seguro, de forma que ninguém possa ter acesso a um dado sem a autorização do profissional responsável. Uma vez que, o código de ética determina como “dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger, por meio da confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações, a que tenha acesso no exercício profissional”(Art. 9o , 2005: 13).
Em virtude da mutabilidade humana não se considera o psicotécnico uma avaliação de caráter definitivo. Assim sendo, um Parecer ou Laudo Psicológico constará das nomenclaturas: Apto, Apto Temporário ou Inapto Temporário. No entender de Augras (1994), “nos protocolos dos testes, não se manifestam resultados absolutamente válidos e intemporais, mas que os mesmos constituem a expressão de um evento, a situação única e momentânea do encontro de duas subjetividades que influem uma na outra”(p.14).
Ao iniciar o processo seletivo, se faz o rapport ou “quebra gelo”, que implica nas apresentações do examinador (psicólogo) e dos examinados ou testados (candidatos), com a intenção de que se estabeleça um clima ótimo de descontração. Entendo que este momento oportuniza o profissional a trabalhar as representações que os candidatos têm do exame psicotécnico, medo, fantasias, idéias distorcidas e pré-concebidas. Assim como, de deixar claro que esse processo, de qualquer maneira e independente dos resultados, o que nem sempre é fácil de ser aceito por parte dos candidatos porque precisam do emprego, irá beneficiá-los. Haja vista que não há interesse de colocar uma pessoa numa ocupação em que ela se sinta constrangida ou que a precipite ao fracasso. E, por último, de que o psicotécnico não pretende identificar insanidade psíquica ou patologia, mas, traços que estejam, no caso de empresa, compatíveis com a função. Como salienta Ocampo e outros (1995), o seu objetivo é conseguir uma descrição e a compreensão da maneira mais profunda e completa possível da personalidade do candidato, e sua conclusão será posteriormente transmitida por escrito através do laudo.
Finalmente, mesmo que se leve em consideração os aspectos da subjetividade envolvida nessa atividade, não é difícil de vislumbrar que, a partir da conduta ética, do conhecimento e do domínio das técnicas e dos instrumentos psicológicos, o examinador seja capaz de não cometer injustiça.
Observação:Teste psicológico é de uso exclusivo de psicólogo e estudante de psicologia sob a orientação de um profissional da citada área. Qualquer “dica” ou treino para concurso, CNH, etc., consiste numa atividade ilegal, portanto sujeita à punição pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP).REFERENCIAL
AUGRAS, M. (1994). O Ser da compreensão: fenomenologia da situação de psicodiagnóstico. 4 ed. Petrópolis-RJ: Vozes.BLEGER, José. (1980). Temas de psicologia: entrevista e grupos. São Paulo: Martins Fontes, Código de Ética Profissional do Psicólogo. (2005). CFP, Brasília-DF.Conselho Federal de Psicologia. (2000).Manual para Avaliação Psicológica. Brasília-DF.CUNHA, J. A et al. (1993). Psicodiagnóstico – R. 4. ed. Porto Alegre: Artes Médicas. GIL, Antonio Carlos. (1999). Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas.GOLDER, Eva-Marie. (2000). Clínica da primeira entrevista. Rio de Janeiro: Zahar. HUTZ, C. S & BANDEIRA, D. R. (2003). Avaliação psicológica no Brasil: situação e desafios para o futuro. In Yamamoto, O. H & Gouveia, V. V. (Orgs.). Construindo a psicologia brasileira: desafios da ciência e prática psicológica. São Paulo: Casa do Psicólogo. OCAMPO, M. L. Siquier et al. (1995). O processo psicodiagnóstico e as técnicas projetivas. Trad. M. Felzenszwalb, São Paulo: Martins Fontes. PASQUALI, L. (Org.) (2001). Técnicas de exame psicológico – TEP. Manual. Vol. I: Fundamentos das técnicas psicológicas. São Paulo: Casa do Psicólogo / CFP.
“Dialético é aquele que tem uma visão do conjunto, não-dialético é o que não tem” (Platão)
Embora a expressão Exame Psicotécnico esteja fortemente associada a concurso público e a exigência legal para habilitação de motorista, o psicotécnico é um tipo de avaliação psicológica que se realiza, de modo geral, nas indústrias e organizações. Na verdade, trata-se de um processo que pressupõe a utilização de recursos para abordar os dados psicológicos de forma sistemática, através de métodos e técnicas orientados para a resolução do problema (CUNHA, 1993), ou identificação das diferenças individuais. Esse tipo de exame se realiza por meio de entrevista, testes psicológicos, questionário, autobiografia, dinâmica de grupo, etc. No caso de inaptidão temporária, em concurso público, e mediante solicitação judiciária, se realiza a entrevista chamada de Devolutiva. Esta, no entanto não garante a reinserção do candidato no páreo seletivo, apenas atenua, dentro do possível, a frustração em relação a esse resultado.
O Teste Psicológico é um dos instrumentos mais conhecidos da psicologia e representam o único campo de atuação privativa do psicólogo (HUTZ e BANDEIRA, 2003). Ou seja, em outras palavras o teste psicológico é de uso exclusivo do psicólogo. Salvo a exceção do estagiário de psicologia que esteja sob a supervisão de um psicólogo, nenhum profissional de outra área pode lançar mão do material de teste psicológico, sob pena de sofrer punição. Um teste psicológico se define como sendo uma amostra objetiva e padronizada de um comportamento, cuja função implica em mensurar diferenças entre indivíduos e suas reações, em situações diversas (CFP, 2000). E também como um procedimento sistemático para observar o comportamento e descrevê-lo com a ajuda de escalas numéricas ou categorias fixas (CRONBACH apud PASQUALI, 2001). Em qualquer área do contexto psicológico, o teste sempre consistirá em um instrumento auxiliar do psicólogo e que, para gerenciá-lo, requer do mesmo treinamento e conhecimentos específicos.
A entrevista é utilizada nas mais diversas profissões, e consiste em mais um outro instrumento indispensável nas diversas áreas de atuação do psicólogo. No processo seletivo, a Entrevista Psicológica tem como função básica oferecer subsídio ao examinador (psicólogo), a respeito do examinado ou testado (candidato). Ou seja, como afirma Gil (1999) a entrevista é “uma forma de diálogo assimétrico, em que uma das partes busca coletar dados e a outra se apresenta como fonte de informação”(p.117). E “o que nos guia numa entrevista, do mesmo modo que em um tratamento, não é a fenomenologia reconhecível, mas o ignorado, a surpresa” (GOLDER, 2000, p. 45). Mais do que delinear um plano de ação, a entrevista, em si mesma, se constitui numa modalidade avaliativa. Entretanto, apesar de sua relevância, não se pode desconhecer a subjetividade de interpretação do entrevistador, na qual estão inclusos seus valores, estereótipos, preconceitos, etc. Segundo Augras (1994), “assumir a própria subjetividade não é substituir as suas problemáticas aos conflitos do paciente. É reconhecê-la para delimitá-la, transformando-a em ferramenta para a compreensão do outro”(p.14). Assim, para neutralizar prováveis interferências, o psicólogo planeja e sistematiza essa peça de trabalho, do mesmo modo com o qual procura objetivar os indicadores do perfil profissiográfico.
A entrevista psicológica funciona como uma situação onde se observa parte da vida do candidato ou paciente, porém, nesse contexto não consegue emergir a totalidade do repertório de sua personalidade. A entrevista não pode substituir e nem excluir outros modalidades de investigação mais extensa e profunda, a exemplo da psicoterapia ou do tratamento psicanalítico que demanda tempo, e favorece a emergência de certos núcleos da personalidade. Esse tipo de assistência, também não pode prescindir da entrevista. Geralmente, a entrevista é alvo de crítica por apresentar lacunas, dissociações e contradições que levam alguns pesquisadores a considerá-la um instrumento pouco confiável. Porém, como salienta Bleger (1980), essas dissociações e contradições fazem parte dos indivíduos que, ao refleti-las, a entrevista oferece condições para que as mesmas sejam elaboradas. Este questionamento psicológico pode ser também um processo grupal, ou seja, com um ou mais entrevistadores e/ou entrevistados. No entanto, este é sempre em função da sua dinâmica, um fenômeno de grupo, mesmo que seja com a participação de um entrevistado e de um entrevistador. Enfim, desde que bem estruturada e corretamente conduzida a entrevista psicológica respalda o psicólogo no fechamento das suas considerações.
No que se refere ao uso dos testes psicológicos, sua escolha no exame psicotécnico ocorre de acordo com a descrição das tarefas do cargo em questão, formando, assim, um conjunto de testes: objetivos (inteligência, aptidão, etc.), de personalidade (projetivos), que compõem a chamada Bateria de Testes Psicológicos. Esta, por sua vez, tem como finalidade captar uma série de condutas, em decorrência dos variados estímulos a que o testando é submetido. Os testes psicológicos têm que apresentar confiabilidade, ou seja, grau de precisão; e validade que é a capacidade de atingir os seus objetivos (CFP, 2000). Os testes não devem ser considerados pelo psicólogo como o foco principal do psicotécnico em detrimento da pessoa do candidato, porque, como já visto acima, isoladamente, ele não favorece a compreensão da “totalidade” de sua personalidade, etc. Os testes são instrumentos científicos que, na sua construção, passam por experimentos e comprovações empíricas. Mas, para que essa condição seja contemplada, se faz necessário obedecer a outros critérios, a exemplos da padronização (nos procedimentos), da isonomia (tratamento idêntico para todos) e do controle das variáveis intervenientes na sua aplicação.
Após a coleta dos dados e das informações, se faz a apuração e análise dos resultados que terá a sua tradução num documento denominado Parecer Psicológico que, de forma sucinta, constará das condições internas e manifestas do examinado, e que será encaminhado ao solicitante. O sigilo profissional determina que, visando preservar o examinado de exposição desnecessária, o psicólogo não deve escrever neste documento tudo que sabe a seu respeito, mas apenas as características que são inerentes aos propósitos seletivos. O sigilo e a segurança dos resultados dos testes devem seguir a seguinte norma: ser arquivados de modo seguro, de forma que ninguém possa ter acesso a um dado sem a autorização do profissional responsável. Uma vez que, o código de ética determina como “dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger, por meio da confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações, a que tenha acesso no exercício profissional”(Art. 9o , 2005: 13).
Em virtude da mutabilidade humana não se considera o psicotécnico uma avaliação de caráter definitivo. Assim sendo, um Parecer ou Laudo Psicológico constará das nomenclaturas: Apto, Apto Temporário ou Inapto Temporário. No entender de Augras (1994), “nos protocolos dos testes, não se manifestam resultados absolutamente válidos e intemporais, mas que os mesmos constituem a expressão de um evento, a situação única e momentânea do encontro de duas subjetividades que influem uma na outra”(p.14).
Ao iniciar o processo seletivo, se faz o rapport ou “quebra gelo”, que implica nas apresentações do examinador (psicólogo) e dos examinados ou testados (candidatos), com a intenção de que se estabeleça um clima ótimo de descontração. Entendo que este momento oportuniza o profissional a trabalhar as representações que os candidatos têm do exame psicotécnico, medo, fantasias, idéias distorcidas e pré-concebidas. Assim como, de deixar claro que esse processo, de qualquer maneira e independente dos resultados, o que nem sempre é fácil de ser aceito por parte dos candidatos porque precisam do emprego, irá beneficiá-los. Haja vista que não há interesse de colocar uma pessoa numa ocupação em que ela se sinta constrangida ou que a precipite ao fracasso. E, por último, de que o psicotécnico não pretende identificar insanidade psíquica ou patologia, mas, traços que estejam, no caso de empresa, compatíveis com a função. Como salienta Ocampo e outros (1995), o seu objetivo é conseguir uma descrição e a compreensão da maneira mais profunda e completa possível da personalidade do candidato, e sua conclusão será posteriormente transmitida por escrito através do laudo.
Finalmente, mesmo que se leve em consideração os aspectos da subjetividade envolvida nessa atividade, não é difícil de vislumbrar que, a partir da conduta ética, do conhecimento e do domínio das técnicas e dos instrumentos psicológicos, o examinador seja capaz de não cometer injustiça.
Observação:Teste psicológico é de uso exclusivo de psicólogo e estudante de psicologia sob a orientação de um profissional da citada área. Qualquer “dica” ou treino para concurso, CNH, etc., consiste numa atividade ilegal, portanto sujeita à punição pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP).REFERENCIAL
AUGRAS, M. (1994). O Ser da compreensão: fenomenologia da situação de psicodiagnóstico. 4 ed. Petrópolis-RJ: Vozes.BLEGER, José. (1980). Temas de psicologia: entrevista e grupos. São Paulo: Martins Fontes, Código de Ética Profissional do Psicólogo. (2005). CFP, Brasília-DF.Conselho Federal de Psicologia. (2000).Manual para Avaliação Psicológica. Brasília-DF.CUNHA, J. A et al. (1993). Psicodiagnóstico – R. 4. ed. Porto Alegre: Artes Médicas. GIL, Antonio Carlos. (1999). Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas.GOLDER, Eva-Marie. (2000). Clínica da primeira entrevista. Rio de Janeiro: Zahar. HUTZ, C. S & BANDEIRA, D. R. (2003). Avaliação psicológica no Brasil: situação e desafios para o futuro. In Yamamoto, O. H & Gouveia, V. V. (Orgs.). Construindo a psicologia brasileira: desafios da ciência e prática psicológica. São Paulo: Casa do Psicólogo. OCAMPO, M. L. Siquier et al. (1995). O processo psicodiagnóstico e as técnicas projetivas. Trad. M. Felzenszwalb, São Paulo: Martins Fontes. PASQUALI, L. (Org.) (2001). Técnicas de exame psicológico – TEP. Manual. Vol. I: Fundamentos das técnicas psicológicas. São Paulo: Casa do Psicólogo / CFP.
terça-feira, 26 de junho de 2007
Acorde, ainda há tempo para refletir

Acorde, ainda há tempo!
O dia de hoje foi especial mais uma vez! O dia de trabalho por fim terminou. Realizei grande parte das tarefas que estavam registrados na minha agenda profissional.
Às vezes parece que a gente não vê as horas passarem na execução de nossas atividades profissionais, de outro modo, fica a impressão que executamos mecanicamente as nossas ações, nossos atos, quer sejam eles aplicados na organização aonde estamos prestando os nossos serviços, ou ainda junto às pessoas de nosso relacionamento familiar, de amizade, entre outros. E aí ficamos como que em estado letárgico, quase que dormindo ou ainda sonhando. Mas a realidade de nosso dia a dia é muito severa e, em determinadas circunstâncias, exigem de cada um de nós uma posição de firmeza. E o tempo vai passando e nada vai mudando. Aparentemente.
Analisando estes aspectos que fazem parte de nossas reflexões, lembrei que ainda há pouco ao assistir o noticiário do Jornal Nacional da rede Globo surge a chamada da imagem da dona de casa que de madrugada ao tentar ir para o hospital foi criminosamente maltratada por alguns jovens de classe média. Logo a seguir a apresentadora informa que o pai foi à delegacia e pediu desculpas a mãe e, justificou que aquelas “crianças” não poderiam ficar presas pelo fato de estudarem e trabalharem. Esta realidade é muito brutal nos dias de hoje. De repente consegui acordar um pouco. No mesmo noticiário há o caso do senhor de idade que faleceu em decorrência de um murro, pois o cidadão estava, segundo a reportagem, furando a fila.
Lembrei em seguida o texto publicado na revista VEJA edição 2012 de nº. 23 que traz a seguinte matéria: O dorminhoco polonês. Algo interessante no contexto da matéria é o fato do Senhor Jan Grzebski ter estado dormindo por mais de 18 anos, aliás, o fato foi que ele estava em estado de coma profundo. Quando acordou tudo mudou e, grande foi o seu susto ao perceber que a sociedade em que estava inserido havia mudado profundamente.
Considerando estes pontos lembrei do capítulo que trata dos tipos de Transtorno do Sono no meu velho DSM – IV 4º edição (sei que já há uma nova edição) que toca de perto a questão dos processos do dormir e seus transtornos. Mas não é este o ponto a ser efetivamente abordado. Apesar de ser psicólogo de base psicanalítica recordei de uma obra chamada Jesus na perspectiva da Psicologia Profunda de Hanna Wolff. A autora nasceu em 1910, em Essen, Alemanha.
Afirma Hanna Wolff que “Consciência auto-responsável é o contrário de infantilidade”. Faz parte da inércia ou da preguiça espiritual, herdada do velho Adão, o fato de que os homens em geral apresentam, muito raramente, uma genuína consciência espiritual (...) A infantilidade significa, ao invés, a atitude que, por fraqueza, por falta de responsabilidade ou energia revela medo ou que nega precisamente essa reação às responsabilidades cada vez maiores e mais abrangentes que adquirimos. A infantilidade deixa-se, de bom grado, ser guiada por pai e mãe, ou por pessoas que os substituam. A infantilidade está sempre a esperar tudo da vida, como outrora esperava do pai e da mãe, mas nada dá à vida.
Creio que acordei mais um pouco. Refletir sobre estas questões é muito importante para todos nós.
Texto:
Fabricio S Menezes
Psicólogo
CRP 01/11. 163
segunda-feira, 25 de junho de 2007
Informações do CRP 1º Regiao
Boa Tarde!
É sempre bom lembrar o trabalho que o CRP em Manaus está desenvolvendo. Para está divulgando entre os profissionais de psicologia o primeiro numero do Psicólogo com várias informações. Entre elas destaco as seguintes:
1. Para participar da Associação dos Psicólogos do Amazonas - entrar em contato com 9974 9219 e falar com Mara Kramer - Valor da Anuidade R$ 50,00.
2. Para ser filiado ao Sindicato dos Psicólogos do Amazonas - entrar em contato com 3234-7979 ou dirigir-se a rua Barroso, 272 - Centro - Manaus/Am
3. Para associar-se ao grupo de Terapias Cognitivas - entrar em contato pelo e-mail: hayasidamauricio@hotmail.com
É sempre bom lembrar o trabalho que o CRP em Manaus está desenvolvendo. Para está divulgando entre os profissionais de psicologia o primeiro numero do Psicólogo com várias informações. Entre elas destaco as seguintes:
1. Para participar da Associação dos Psicólogos do Amazonas - entrar em contato com 9974 9219 e falar com Mara Kramer - Valor da Anuidade R$ 50,00.
2. Para ser filiado ao Sindicato dos Psicólogos do Amazonas - entrar em contato com 3234-7979 ou dirigir-se a rua Barroso, 272 - Centro - Manaus/Am
3. Para associar-se ao grupo de Terapias Cognitivas - entrar em contato pelo e-mail: hayasidamauricio@hotmail.com
RELACIONAMENTOS INTERPESSOAIS NO AMBIENTE DE TRABALHO

Há diversas obras no mercado editorial que tratam de temas que se relacionam com a maneira como atuamos no ambiente organizacional, pois estes comportamentos irão contribuir para que seja gerado um clima de insatisfação ou satisfação entre diversos colegas que atuam no ambiente de trabalho.
Estes comportamentos individuais são verdadeiras barreiras que nos impedem de realizarmos em plenitude as tarefas pelas quais somos responsáveis e, ainda nem sempre nos permitem corresponder de modo satisfatório aos objetivos daquela área para o qual fomos contratados.
No âmbito dos processos psicológicos vale ressaltar que estes comportamentos, por exemplo, de agressão, indiferença, insatisfação, ambição pelos cargos, podem ter sua causa base no processo de relacionamento entre pais e filhos, posto que algumas regras que determinariam limites naquela época não foram bem estabelecidas e entendidas por estes que hoje são os profissionais atuando no mercado de trabalho. Assim, de modo geral estes adultos não conseguem administrar no ambiente profissional as regras que estabelecem limites no tocante as suas atuações em diversos momentos de trabalho.
Nos dias atuais a onda de agressão contra os outros é deveras acentuado, basta ver as noticias nos jornais e revistas que circulam por meio físico e pela internet. Ainda mais grave é quando esta mesma agressão se volta contra si mesmo, sem que muitas vezes este profissional perceba estas nuances. Neste ponto quero relembrar o pensamento do grande Morandas Karamanchand Ghandi: Os cristãos dispõem de um livro de 400 paginas, que é a Bíblia, e matam-se terrivelmente uns aos outros. Eu optei apenas por 12 linhas do Evangelho de São Mateus, que são as Bem-Aventuranças, e por isso eu amo a Jesus e temo os cristãos.
Portanto, temos tantas informações no âmbito da saúde mental e médica nos dias de hoje e, ainda assim não as traduzimos para nos atenderem no nosso dia a dia, seja dentro do ambiente familiar, na escola, na universidade e por extensão no todo da organização profissional. É natural sem sombra de dúvida esta falta de correlação, pois não temos o hábito de analisarmos estes aspectos, pois, nossa visão global da vida é ver apenas o momento, o presente. Como dizem os grandes pensadores: o TER é essencial para as pessoas, e trabalhar o SER no mundo em síntese, não nos interessa muito, pois sendo levados de roldão pelas conquistas dos bens econômicos, pois para isto estimulado de forma tão intensa que não nos apercebemos quer seja por intermédio da mídia, dos amigos, pela sociedade.
O pedagogo Luiz Carlos Moreno no texto Emoção na Administração afirma que “os fins de nosso comportamento são estabelecidos por nossos desejos, nossas paixões, nossas emoções, nossos gostos – nossos sentimentos de todo tipo”. Assim, conhecer as nossas emoções e lidar com elas parece-nos ser o grande enigma, o grande mistério de todos nós.
Por que ser agressivo no dia a dia de nosso trabalho profissional? Nem sempre o sabemos, pois às vezes já nos dirigimos para lá já tão chateados, irritados, intolerantes que parece que esta conduta já é natural e nem nos importamos de sermos assim. Achamos que estamos a sós naquele local e nem sempre é assim. Do mesmo modo que temos os nossos anseios, desejos, sonhos o os demais colegas que estão ao nosso lado também os possuem.
Assim, viver bem em sociedade é importante. E aquele lugar de trabalho é uma mini-sociedade e cada um tem as suas particularidades quanto ao seu comportamento. Daí observar, analisar, entender a cada um é um outro processo de crescimento pessoal, pois ao observá-los poderemos contribuir para adequar, ajustar os nossos comportamentos, pois assim, estaremos nos autoconhecendo, treinando-nos no contato de uns para com outros e também se ajustando para trabalharmos de modo mais satisfatório.
Viver bem é essencial. Para tal temos tantos e diversos tipos de conduta pessoal que se refletem nas relações interpessoais que vale a pena lembrar de modo resumido de cada um deles:
O profissional que é o tipo tido como competitivo – é aquele que se dispõe a fazer tudo, é atento a tudo e a todos. Trabalha em busca de resultados, é ágil nos momentos difíceis. Tem por outro lado limitações para interagir com os demais. Já o tranqüilo não se dispõe a brigas, sempre procura ser agradável com todos. Na equipe/grupo em geral gostam dele. Ao agir assim pode ser engolido nos momentos de tensão, pois não se dispõem efetivamente a agir. Há ainda o que colabora, está sempre a disposição em todos os aspectos, às vezes é não é bem visto por todos. Há o que é pela organização - tudo o que faz é voltado para a empresa, às vezes é muito exigente com os demais colegas para que tenham o mesmo comportamento. Há o dito falso que é aquele que trabalha ao lado de todos, mas às vezes procura se destacar além dos demais.
Entre estes comportamentos vale lembrar aqueles que atribuímos aos outros menos a nós mesmos, mas que muitas vezes dependendo do momento, são atitudes que nós colocamos em prática sem nos apercebemos: há dias em que estamos mal-humorados, agimos como fofoqueiros, como mandões, como conquistadores, como o bonzão, e o espertão.
Perceber-se, procurar melhorar a si mesmo é um processo demorado, mas trará uma contribuição efetiva para a nossa saúde emocional e, para compreendermos aqueles que estão ao nosso lado.
Melhorando-nos poderemos inclusive viver bem o amor para conosco e para com os que estão ao nosso lado. Para ratificar este aspecto vale a pena também relembrar as pesquisas que são levadas a efeito que ratificam a importancia ou sentido de amar. De acordo com a Dra. Danah Zorah – professora de física quântica de Oxford a inteligência espiritual é viver o amor. Já os doutores David Bond e Stewart Wolf de Harvard afirmam que o amor é uma força ciclópica e é a melhor terapia na vida.
FabricioMenezes
Psicólogo
sexta-feira, 22 de junho de 2007
DICA DE PROJETO - FINEP
Este link permite acessar o modelo de projeto junto ao FINEP. É muito interessante e esclareçe os passos didaticamente.
domingo, 3 de junho de 2007
Trabalhar no Interior no Estado do Amazonas
Prezados:
Já atuo como Psicologo e na area de RH(Administração de Pessoal) há mais de 18 anos. Efetuo palestras com seguintes temas: STRESS Versus Terapias Alternativas, Chefia e Liderança, Agressividade na organização, Suicidio nos dias atuais - Prevenção, Relacionamento Interpessoal.
Tenho interesse em atuar junto às Prefeituras do interior do Estado do Amazonas com o proposito de contribuir com estas comunidades na area de psicologia.
Contato:
9197 1992
E-mail: fmenezesster@gmail.com
E-mail: terapeutaam@hotmail.com
Já atuo como Psicologo e na area de RH(Administração de Pessoal) há mais de 18 anos. Efetuo palestras com seguintes temas: STRESS Versus Terapias Alternativas, Chefia e Liderança, Agressividade na organização, Suicidio nos dias atuais - Prevenção, Relacionamento Interpessoal.
Tenho interesse em atuar junto às Prefeituras do interior do Estado do Amazonas com o proposito de contribuir com estas comunidades na area de psicologia.
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