sexta-feira, 4 de maio de 2012

PLANEJAMENTO DE CARREIRA

Naísa Modesto
Estudar o mercado e pesquisar o perfil do executivo brasileiro é uma tarefa difícil e à qual poucos se propõem. Betania Tanure enfrentou o desafio e hoje entende bem desse assunto.
Formada em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (1983), Betania graduou-se doutora em Administração pela Brunel University (Inglaterra). Atualmente é professora da Fundação Dom Cabral e especialista em estratégia, pessoas e gestão empresarial.
Também é autora do livro “Executivos: Sucesso e Infelicidade” (Editora Campus), que fala sobre como equacionar essas duas questões, já que nem sempre as conquistas que alcançamos em nosso trabalho implicam em sermos felizes.
Acompanhe a entrevista que a professora concedeu ao Jornal Carreira & Sucesso.

Jornal Carreira & Sucesso: Como você começou a carreira?
Betania Tanure: Comecei na área de Recursos Humanos, sempre voltada para a questão da empresa. Fui para a Fundação Dom Cabral, onde tive duas funções básicas: professora e dirigente. Fui diretora da Fundação e responsável por todos os programas de desenvolvimentos de executivos. Sou formada em Psicologia, fiz meu doutorado em administração na Inglaterra e hoje eu tenho três pilares na minha carreira: o acadêmico, no Brasil e fora, a consultoria e o conselho de administração.

C & S: De onde vem esse interesse em trabalhar e entender o mercado corporativo?
Betania: Acho que de um sonho maior de contribuir de alguma maneira para que o mundo seja melhor. Na minha visão, as empresas têm um diferencial de transformação da sociedade tremendo e eu acho que no fundo é o que me move, especialmente pelo fato de o meu trabalho ser muito ligado às organizações. Dali saem pessoas com um poder de transformação da sociedade, das relações, de fazer o outro melhor… Isso tudo é muito forte.

C & S: Você percebe que esse papel das empresas é igual aqui no Brasil e fora do País?
Betania: Não, existem diferenças importantes em função da cultura das organizações e da cultura dos países. É isso que influencia a forma que você modela o conjunto organizacional, inclusive a interação entre empresa e sociedade.

C & S: Qual é o modelo de gestão mais disseminado no Brasil?
Betania: Do ponto de vista da pesquisa, temos três grandes pilares no modelo brasileiro. Um pilar que é a questão da flexibilidade, de encontrar alternativas. Isso caracteriza o estilo brasileiro de gestão. Costumo dizer que tudo na vida tem o lado sol e o sombra. Então o lado sol deste estilo é a questão da adaptação mais fácil e rápida às mudanças que um meio impõe – neste ponto temos uma enorme vantagem comparativa. O lado sombra é a indisciplina. Uma segunda característica é a importância das relações. Nós somos uma cultura relacional, na qual a questão do afeto e a proximidade pessoal são extremamente fortes. Isso também tem o lado sol e o sombra. O sol mostra que as pessoas se comprometem; entram nos projetos e nas empresas com o coração muito mais aberto; ligam-se afetivamente às pessoas e aos projetos de corpo e alma. O lado sombra é o favoritismo e a dificuldade de dar o feedback claro com o objetivo de impedir que os amigos fiquem magoados se eu fizer uma crítica. Tem um terceiro pilar que é como nós lidamos com as relações de poder, pois ainda somos muito autoritários com relação ao estilo de gestão. Temos uma evolução importante a ser feita. O lado sol de um sistema mais centralizado é que as decisões são mais rápidas; por outro lado, as pessoas não assumem seu papel no processo, delegam as decisões para cima.

Fonte: Betania Tanure: desvendando o mercado corporativo brasileiro | Portal Carreira & Sucesso

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