sábado, 22 de outubro de 2011

Xingada de velha e feia, foi à Justiça e ganhou

Menosprezada na loja em que trabalhava, e constantemente isolada pelos demais funcionários, uma auxiliar das lojas Marisa, em Minas Gerais, resolveu recorrer à Justiça do Trabalho em busca de indenização depois de ser demitida sem aviso prévio, em abril de 2009. A loja foi condenada a pagar R$ 20 mil de indenização por danos morais à mulher, sentença da primeira instância confirmada pelo Tribunal Regional Federal 3ª Região e, esta semana, pelo Tribunal Superior do Trabalho.

A auxiliar contou à Justiça que, logo após ser contratada, em outubro de 2008, notou que era alvo de um tratamento diferente dos demais. Não era convocada para as reuniões de treinamento e, volta e meia, era tratada de forma desrespeitosa. Se reclamava de algo, diziam logo que ela era “velha”. Certa vez foi perguntar à gerente o que estava acontecendo, e ouviu que seu cabelo, suas roupas, tudo era feio. A história foi confirmada por testemunhas à Justiça do Trabalho. Disseram que ela foi destratada até na frente de clientes.

Por depender do emprego, a mulher aturou a situação por meses a fio, à custa de crises de choro e duros golpes na sua autoestima. A Marisa contestou os fatos, negou tudo, mas nem o juiz nem os ministros foram convencidos de que não houve assédio moral.

O ministro Emmanoel Pereira, do TST, afirmou que, nesse caso, caberia à empresa provar que não houve comportamento hostil.

Duas coisas me vêm à mente diante de uma história dessas. A apresentação é um fator importante no ambiente de trabalho. Esse código muitas vezes têm que ser ensinado ou explicitado em regras. Aqui não se trabalha de minissaia, aqui as mulheres prendem o cabelo e usam toucas para cozinhar etc. Vamos pensar nas pesssoas que fogem do padrão, não de beleza, mas de apresentação. Se você contrata uma recepcionista e, mesmo informada, a moça insiste em trajes inadequados, você manda embora. E não fica ali xingando ela.

Agora vamos supor que esta história contada aqui seja apenas isso mesmo: excluída por não ser bonita e jovem.Que os belos costumam usufruir de vantagens não-escritas nos ambientes que frequentam é fato. É comportamento estudado e reportado, inclusive, em recente capa da Época. Mas o revés dessa moeda, menosprezar e destratar os não-belos, os não-jovens, os não-alguma-coisa, é o retrato do despreparo para a vida em sociedade. Não acho que seja um fenômeno recente resultado da ditadura da beleza e da juventude eterna das plásticas sem fim. Para mim, é a ausência de um princípio muito básico, e não necessariamente religioso, que deve ser ensinado desde a infância: não infligir ao outro o que não gostaria que fizessem consigo mesmo.Você vê muito esse tipo de situação por aí?

Autor: Isabel Clemente é editora-assistente de ÉPOCA em Brasília



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